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Vila Itororó

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As origens da Vila Itororó confundem-se com a história das artes cênicas de São Paulo.

No local onde hoje existe o Shopping Light, no Vale do Anhangabaú, havia antes o Teatro São José, o segundo teatro da cidade de São Paulo com este nome, que infelizmente foi demolido em 1924.

Nesta mesma época, um descendente de portugueses, comerciante da indústria de tecidos e empreiteiro chamado Francisco de Castro teve a ideia de usar boa parte do que sobrou da demolição daquele teatro para construir a primeira vila urbana de São Paulo. Assim surgiu a Vila Itororó, que foi a primeira obra de engenharia brasileira a usar material reciclado.

O surrealismo eclético da obra chamou imediatamente a atenção dos moradores da cidade – imaginem que surgiu antes mesmo do Manifesto Surrealista publicado na França em 1924 – pois esculturas de dois Leões da babilônia guardavam a entrada da mansão, assim como outras esculturas e diversos adornos trazidos do teatro e as colunas de estilo romano, que sustentam as casas também  foram todos trazidos do antigo Teatro São José. Há também no palacete principal vitrais circulares com antigos brasões da época do Império Brasileiro.

A vila foi inaugurada em 1922 e continuou a ser construída até 1929, sendo composta por um palacete principal de quatro andares e 34 cômodos. Além disso, em volta foram construídas 14 casas e 4 prédios assobradados para locação, que geravam renda para o proprietário. Todo esse conjunto arquitetônico foi feito em uma área de 4.500 m2 na Rua Martiniano de Carvalho, no bairro do Bixiga / Bela Vista

O nome vem do Riacho Itororó, atualmente canalizado abaixo da Avenida 23 de Maio, que na época abastecia a piscina da vila. Isto de ter uma piscina particular também era inédito por aqui naquele tempo e gerou muito falatório. Havia fontes e áreas com jardins.

A vila era considerada elegante e abrigou diversos bailes e festas, com direito a orquestras e muita dança, pois Francisco de Castro conseguiu estabelecer boas relações com a elite cafeeira paulistana da época e muitos frequentavam a vila. O proprietário porém se afundou em dívidas e seu patrimônio foi tomado por credores… na década de 30 começou a ser invadido e acabou se tornando com o tempo um grande cortiço.

Desde meus tempos de criança, no começo da década de 80, lembro-me de passar na Vila Itororó e pensar na deterioração daquele “castelo” e ainda hoje tenho esperança de que nossa cidade termine o projeto de restauração desta incrível construção, ainda mais depois do tombamento em 2005 pela CONDEPHAAT e da declaração de utilidade pública pela prefeitura em 2006.

A grandiosidade e o valor cultural desta obra vão além do que nossos olhos conseguem enxergar. Assim que as visitas forem retomadas, após a pandemia, não deixem de visitar, pois trata-se realmente de um local único!

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