Patrimônio Historico e Cultural

Viaduto do Chá

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Se hoje a Ponte Estaiada tornou-se um símbolo da cidade, o mesmo podemos dizer sobre o
Viaduto do Chá, que simbolizou o progresso da cidade no final do século XIX.

Obviamente não foi a primeira ponte da cidade, mas foi a primeira construção de grande porte conectando a região do centro histórico ao chamado “centro novo”, idealizada pelo pintor, professor, arquiteto, litógrafo e empresário francês radicado em São Paulo desde 1870, Jules Martin. Além da ideia de um viaduto, ele também sugeriu que fosse feito um aterro, com uma passagem para o rio Anhangabaú. Mas a opção do viaduto prevaleceu.

A criação de um viaduto fazia parte de uma reestruturação do centro da cidade, impulsionada pela cafeicultura. Ironicamente, apesar de tornar-se realidade pelo dinheiro do café, foi nomeado como “Viaduto do Chá” por conectar à uma região que era conhecida pelas fazendas de chá da Índia, cultivo introduzido na área pelo Marechal Arouche de Toledo.


Sua construção representou um grande conforto para a população, pois antes as pessoas precisavam descer a encosta, passar por uma ponte e depois subir o Morro do Chá, dificultando o acesso à uma àrea da cidade que estava em plena expansão, com novas ruas sendo abertas. Logo, a conexão entre as ruas Barão de Itapetininga e Rua Direita era a mais viável para estabelecer a transposição do vale do Anhangabaú, que havia se transformado em barreira para a expansão da cidade. Entretanto, o criador do viaduto levou 15 anos, desde sua ideia (1877) até a sua concretização (1892), Martin associou-se ao alemão Victor Nothmann, que já havia atuado em outras obras da cidade, como a criação do bairro de Campo Elíseos, e a construção foi iniciada em abril de 1888, após a constituição de uma empresa: Companhia Paulista do Viaduto do Chá.

Mãos à obra! Trabalho intenso? Nem tanto…

Poucos meses após o início da obra, ela foi paralisada por conta de problemas na demolição da residência do Barão de Tatuí, localizada no encontro da atual rua Líbero Badaró com a rua Direita, justamente onde o viaduto seria finalizado. A então proprietária da casa não aceitava a demolição e esse conflito só foi solucionado após um processo judicial, que deu ganho de causa ao projeto do
viaduto, cujas obras foram retomadas em maio de 1889 (demolição do casarão).

Segundo Roberto Pompeu de Toledo, no livro “A capital da Solidão”, ocorreram até mesmo comemorações da população nas ruas.

Vencida esta batalha, a inauguração do viaduto ocorreu em 06 de novembro de 1892, com a presença do presidente da província Bernardino de Campos e foi abençoado pelo bispo diocesano. Mas já diz o ditado, “alegria de pobre não dura muito”. Como foi um empreendimento privado, a companhia tinha o direito de cobrar um pedágio para a travessia. Sim! Um pedágio de três vinténs, que logo originou o apelido de “viaduto dos três vinténs”. O pedágio só deixou de ser cobrado em 1896, quando a prefeitura encampou o viaduto. Já pensou se esse costume vira tradição na cidade?

Além disso, curiosa seria a sensação que se teria ao atravessá-lo: com a estrutura feita de metal, tinha um ligeiro balanço. O fato é que essa construção ajudou muito na especulação imobiliária da nova região da cidade, e logo após sua inauguração, muitos outros edifícios de renome foram inaugurados,
como por exemplo, a Escola Normal (1894) e alguns anos mais tarde, o Theatro Municipal.

Com um desenvolvimento acelerado na cidade no começo do século XX, aquele que era símbolo do progresso já era considerado obsoleto. Em meados dos anos 30, não comportava mais o tráfego e decidiu-se realizar concursos para escolher um projeto para o novo viaduto. O eleito foi o carioca Elisário Bahiana, que optou por um viaduto em estilo art-déco, inaugurado em 1938. Ele também foi o autor de um edifício famoso, muito próximo do viaduto, o Edifício João Brícola (mais conhecido como antigo Mappin). Gosto de imaginar que o edifício complementa o viaduto, com detalhes arquitetônicos tão parecidos. Muito interessante pensar em como ocorreu a construção. Durante a obra, o antigo viaduto foi mantido até a finalização do segundo. Ou seja, por algum tempo tivemos dois viadutos do chá!

E mais que um ponto de conexão entre dois lugares, é um espaço de múltiplas funções, como por exemplo, um mirante. De um lado podemos ver a Praça da Bandeira, a Assembléia Legislativa. Do outro é possível observar o Vale do Anhangabaú, como o prédio histórico dos Correios, o edifício Mirante do Vale (o mais alto de São Paulo) e até mesmo o Viaduto Santa Efigênia. Além disso, em cada extremo tem ícones da cidade, como o Theatro Municipal e o Edifício Matarazzo. Sem dúvida, é um ícone da cidade e sua importância é tão grande que foi tombado pelo Condephaat como patrimônio cultural da cidade. Sua travessia não deve ser feita de qualquer maneira, mas apreciada por sua relevância histórica e cultural. Na sua próxima visita ao centro, desfrute-o!

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