Patrimônio Historico e Cultural

Teatros e Turismo em São Paulo

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A cultura brasileira é um grande atrativo turístico. Com um número cada vez maior de festivais, edificações tombadas pelo patrimônio histórico, além de manifestações sociais e religiosas, é cada vez mais fácil encontrar quem planeje as férias, ou um fim de semana, desejando visitar um destino referência em cultura.

A cidade de São Paulo nos oferece mais de cem teatros espalhados por todas as regiões. Vários, além do “Theatro Municipal”, pertencem à Prefeitura:

  • João Caetano, na vila Clementino;
  • Artur Azevedo, na Moóca;
  • Martins Pena, na Penha;
  • Paulo Eiró e Leopoldo Fróes, em Santo Amaro;
  • Cacilda Becker, na Lapa;
  • Alfredo Mesquita, em Santana;
  • Décio de Almeida Prado, no Itaim Bibi;
  • Flávio Império, em Cangaíba;
  • Além de outros instalados em Centros Culturais, bibliotecas e CEUs.

Outros, são propriedades do Governo do Estado de São Paulo, como o Theatro São Pedro, o teatro Sergio Cardoso e os instalados em “Oficinas Culturais”. Temos os pertencentes ao Governo Federal o Teatro de Arena Eugênio Kusnet e os Galpões da FUNARTE.

Organizações não governamentais, como SESC e SESI, não só nos oferecem uma estrutura de qualidade, como também, vários teatros com excelentes espetáculos a preços bastante acessíveis ou mesmo sem nenhum custo.

Um grande número destes centros de cultura são frutos da iniciativa privada, funcionando em prédios construídos para essa finalidade ou instalados em diversos lugares onde são exercidas outras atividades. Muitos são os teatros em Shoppings, universidades, escolas e em hotéis, como o Renaissance e o Jaraguá. Há também palcos em prédios comercias, como no Edifício Itália e em hospitais, caso do Santa Catarina.

Os musicais da Broadway, apresentados no Teatro Renault, são exemplos que, além de proporcionar lazer e cultura, movimentam o turismo na cidade. Por ser o único no Brasil com palco especialmente preparado para esse tipo de espetáculo, faz com que os interessados venham até aqui para apreciá-los. Os que residem em cidades vizinhas, normalmente veem apenas para o musical, os de cidades mais distantes ou de outros estados, permanecem um ou dois dias aqui na Capital, o que movimenta hotéis e a rica gastronomia paulistada, além de transportes turísticos especializados, sem dizer que também aproveitam a estadia para compras e contratar guias de turismo para conhecer a cidade.

Certos teatros, além dos espetáculos ali apresentados, oferecem a oportunidade de tours em razão da beleza arquitetônica do prédio ou de sua importância na Arte Teatral. Vamos começar pelo mais antigo em funcionamento, que também é o mais luxuoso despertando nas pessoas o desejo de conhecê-lo internamente. Sim, ele mesmo, o Theatro Municipal inaugurado em 12 de setembro de 1911, que não foi o pioneiro, já que existiram vários outros antes dele, porém, foram demolidos ou destruídos em incêndios como o segundo Teatro São Jose, quase em frente ao Municipal onde hoje está o Shopping Light, que foi inaugurado em 1909 em um projeto de Carlos Ekmann (1866-1940), com capacidade para 2.000 espectadores. Sua contrução objetivou a substituição do teatro com mesmo nome, mas situado no local hoje conhecido como Praça João Mendes, inaugurado parcialmente em 04/09/1864 (a obra só foi concluída em 11/03/1876), mas que fora totalmente destruído por um incêndio em fevereiro de 1898. O novo São José tinha 17 metros de fachada e profundidade de 33 metros, bastante grande para os padrões da época o que o permitiu receber importantes companhias europeias de óperas. A grande atriz Sarah Bernhardt esteve no seu palco em 1868 e Castro Alves declamou seu poema abolicionista “Navio Negreiro” por lá. O segundo Teatro São José não foi destruído pelo fogo mas pelas picaretas. Grande, mas não luxuoso como o Municipal, foi totalmente desativado em 1919 e adquirido no ano seguinte pela “Light and Power” para a construção do edifício “Alexandre Mackenzie” que seria sede de seus escritórios. Felizmente tombado pelo Patrimônio, não pôde ser derrubado quando a “Eletropaulo”, que a sucedeu, mudou-se dali em 1999.

Ópera de Paris

O Theatro Municipal, um dos principais pontos turísticos de São Paulo graças ao seu majestoso exterior, desperta em todos a vontade de conhecer seu luxuoso interior, que já nos encanta quando através dos vidros das belas portas apreciamos o saguão e a escadaria em mármore. Inspirado na “Opera de Paris”, foi construído pelo escritório de Ramos de Azevedo com projeto de Domiziano Rossi e decoração de Claudio Rossi utilizando material nobre vindo da Europa, compatível com o momento de riqueza que a cidade vivia graças ao café exportado (o café permitia aos grandes cafeicultores passarem temporadas na França e, ao voltarem, desejam fazer com que São Paulo fosse igual a Paris). Recebeu nomes famosos da música erudita, grandes companhias ali apresentaram grandiosas óperas. Salvo raras exceções, sempre foi utilizado para apresentações de óperas, balés e música clássica. Desde a sua inauguração sofreu interrupções apenas para reformas..

O Theatro São Pedro, segundo mais antigo em funcionamento, foi inaugurado em 1917 e também luxuoso, mas difere do Municipal na sua trajetória: sofreu longas interrupções, teve outros usos e as reformas modificaram sua estrutura. Sempre no mesmo local, Rua Albuquerque Lins, 267, teve concluído o processo de tombamento em 1984 e foi declarado de utilidade pública para ser desapropriado. Seu construtor foi p empreendedor português Manoel Fernando Lopes, com projeto do italiano Augusto Bernardelli Marchesin no estilo eclético, predominantemente neoclássico, com detalhes em “art noveau”. Em 1920 é transformado em cinema permanecendo assim até 1967, quando bem deteriorado vira estacionamento. Em 1968 Beatriz Segall e o esposo Mauricio Segall arrendam o prédio, efetuam reformas e o espaço volta a ser teatro, apresentando peças que contestavam a ditadura militar, endurecida com a assinatura do AI-5 em dezembro daquele ano. Importantes peças foram ali encenadas, como o “O Interrogatório de Peter Wiss”, a “Opera do Malandro” e “Macunaima”. Apesar das montagens de sucesso, as crises financeiras eram grandes o que motivou a deterioração.  Com o tomabemento e por consequência seu restauro, o São Pedro volta a ostentar fachada igual a da época da inauguração. Reaberto em 24 de março de 1998 apresenta óperas, concertos, vários tipos de programas com preços populares, ou com entrada franca. Uma grande oportunidade para se conhecer o belo interior.

O Teatro Renault, na Av. Brigadeiro Luiz Antônio número, 411, apresenta uma bela fachada, a mesma de quando foi inaugurado, tombada após sobreviver juntamente com o “foyer” ao grande incêndio em 1969 que destruiu todo o resto do teatro. Ostenta o nome “Teatro Renault” desde novembro de 2012 ao substituir “Teatro Abril” utilizado desde 2001. Sua história, com momentos de glória e de decadência, começa bem antes. Inaugurado em 16 de abril de1929 com o filme “Alta Traição”, o primeiro filme falado na América Latina, como atesta a placa comemorativa fixada numa das paredes. A sociedade paulistana frequentava aquele luxuoso espaço tanto para assistir aos filmes como para participar dos animados bailes de Carnaval que ali eram realizados. Depois vai ser transformado em teatro, o famoso Teatro Paramount apresentando espetáculos memoráveis, “Eu sou o Espetáculo” com José Vasconcelos, muito mais que um “stand up”, foi o nosso primeiro “One Show Man”, fazia imitações perfeitas de cantores, galãs e locutores de jornais da tela. O show está eternizado em LP .Também em vinil estão gravados vários e belos shows de bossa nova, com grandes nomes, como Ellis Regina, Claudete Soares, Jonhy Alf, Zimbo Trio. Aconteciam às segundas-feiras promovidos pelo “disc jockey” Walter Silva, o popular “Pica Pau” em parceria com os diretórios acadêmicos. Em 1967 foi realizado o famoso Festival Record da Música Popular Brasileira. Foi o “Teatro Record Centro”, substituindo o “Teatro Record Consolação” destruído num incêndio. O mesmo destino teve o antigo Paramount . Resolveu-se então, no que restou, instalar cinco salas para exibição de filmes, sem atraírem público, numa última tentativa, foram exibidos os chamados filmes “pornos”, também sem sucesso. Em 1996 passou a ficar fechado, totalmente sem uso. Felizmente para nossa cidade, após uma reforma que custou mais de 10 milhões de reais, criando um palco com 255 metros quadrados, com 10 metros de altura, fosso para orquestra com 86 metros quadrados com capacidade para abrigar 80 músicos, no dia 25 de abril de 2001 estreia o musical “Les Miserables” dando início a uma série de consagrados espetáculos no Teatro Abril.

O Teatro Brasileiro de Comédia, que interessados na história do Teatro do Brasil não podem deixar de ir (Rua Major Diogo, 315), chama atenção por ser um prédio que em nada lembra um teatro. Até há algum tempo ainda estava na fachada o famoso luminoso com as letras T.B.C., 3 letras apenas que diziam muito. Hoje está exposto num saguão da FUNARTE, Alameda Nothmann, 1058, que é a proprietária do prédio, felizmente tombado. Naquele prédio comercial, em 1948, o engenheiro italiano Franco Zampari, instala não apenas mais uma casa de espetáculos mas algo que mudou o Teatro Brasileiro, trazendo grandes diretores italianos, peças de consagrados autores contemporâneos como Tennessee Williams e Artur Miller. Dali surgiram grandes nomes do Teatro, Paulo Autran, Maria dela Costa, Cacilda Becker e vários outros. Inicialmente Zampari, propõe a 200 personalidades da alta sociedade paulista a fundação da “Sociedade Brasileira de Comédias”, entidade sem fins lucrativos que congregaria grupos amadores de São Paulo. O teatro é inaugurado em 11/10/1948 .Em 1949 foi organizado o grupo profissional.

Ainda no “Bixiga”, que já foi chamado de “Broadway Paulistana”, podemos ir até um teatro também bastante importante na história da dramaturgia, não só em São Paulo, mas no Brasil. Na esquina da Rua Rui Barbosa com a Conselheiro Carrão, deteriorado, sujo e fechado por tapumes, não dá para se imaginar os dias de glória daquele espaço, o Teatro Zácaro, a partir de 1981, antes Teatro Aquarius (meados dos anos 60) e antes disso Cine Rex. A história começa em outubro de 1940 quando é inaugurado o luxuoso Cine Rex, com 1800 lugares e a tecnologia mais moderna da época. Depois transformado no “Teatro “Aquarius” com a proposta de não só apresentar peças teatrais como também musicais, shows. Foi seu maior período de glória. Em 1969, apresenta o contestador musical “Hair”, com a mesma montagem apresentada nos EUA e na mesma época! Ficou muito tempo em cartaz sendo sucedido pelo musical “Jesus Christ Superstar”, entre um e outro, vários shows de rock. Ali surgiram grupos como “Secos e Molhados” e vários outros que se tornaram famosos. Também foram apresentadas memoráveis peças brasileiras como “Gota d’Água”, em 1977, com a grande Bibi Ferreira. Mas esse espaço vai ser transformado numa “Discotheque”, algo que estava na moda na época, e como tudo que é moda, mudou. O espaço, com tantos sucessos fica fechado. Só em 21/6/1981 vai reviver agora como “Teatro Zácaro” .O grande sucesso ali apresentado foi “Trair e Coçar”, de Marcos Caruso, revelando o talento de Denise Fraga, atraindo por bastante tempo um grande número de espectadores. Foi também alugado para gravações de programas como “Perdidos da Noite”, quando transmitido pela TV Bandeirantes, depois escritório da produtora do maestro Zácaro, algumas tentativas de casas de show, até o abandono total.

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