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Reflexões sobre o mercado de turismo receptivo na cidade de São Paulo – por Diogo Lopes

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Como turismólogo de formação tenho refletido sobre esse momento histórico de pandemia, onde a atividade turística está estagnada. E o objetivo desta publicação é fazer uma breve reflexão sobre as possíveis mudanças que ocorrerão no mercado de turismo receptivo em São Paulo e os caminhos que o mercado pode seguir para buscar uma recuperação.

Uma conclusão óbvia é que o fluxo doméstico retornará primeiramente, já que o fluxo internacional dependerá das aberturas das fronteiras internacionais, das condições sanitárias do nosso país, do nosso Estado e da nossa cidade; e a consequente motivação que os estrangeiros terão para visitar o Brasil.

Neste contexto a preocupação com saúde pessoal certamente será a prioridade do viajante. E consequentemente os serviços privativos tendem a ser mais procurados, pois não geram aglomerações como o turismo realizado em grupo. É importante lembrar que os gestores do município também poderão impor controles e regras para receber turistas, tanto de turistas que viajam por conta própria, ou que contratam serviços privativos ou compartilhados, junto a agências de viagens.

Esse controle sanitário pode incentivar a exigência da contratação de agências legalizadas e não os “piratas do turismo”, que executam serviços de forma ilegal, insegura e de baixa qualidade. Assim, a crise pode ser uma oportunidade para sanarmos este grande problema que é a ilegalidade, e que de certa forma dificulta o crescimento e o desenvolvimento das empresas de turismo que pagam impostos e que buscam pelo menos o mínimo de qualidade de serviços, colocando a disposição, por exemplo, transportes de qualidade, e guias de turismo credenciados.

Uma interessante novidade é a criação do programa Turista Protegido, pelo Ministério do Turismo. O mesmo divulga que o “selo vai reconhecer estabelecimentos do setor que seguem boas práticas de biossegurança contra o novo Coronavírus. O programa busca chancelar as atividades turísticas que assegurarem o cumprimento de, por exemplo, requisitos de higiene e limpeza para prevenção da Covid-19.” (Site Ministério do Turismo)

Assim, o registro junto ao Cadastur pode ser mais valorizado por todos, o que será um avanço, se o Ministério do Turismo tiver uma considerável melhoria na fiscalização, quase nula até então.

O fluxo doméstico pode sofrer algumas outras alterações. Os turistas com maior poder aquisitivo ao estarem impossibilitados de viajar ao exterior farão suas viagens internamente e os destinos que estiverem melhor posicionados poderão se beneficiar disso. Um bom posicionamento turístico pode ser traduzido em boa infraestrutura turística, e de apoio ao turismo, da oferta de produtos turísticos e da qualidade dos serviços, onde a capacitação profissional é essencial.

O tempo de estada do turista doméstico que virá para São Paulo tende a aumentar, tendo em vista que receberemos pessoas provenientes de origens mais distantes.

E o que São Paulo tem a oferecer?

São Paulo apresentava números crescentes no fluxo de turistas, antes da pandemia. E uma fonte importante de informações está em: http://www.observatoriodoturismo.com.br/

A cidade vem sendo descoberta como um destino muito interessante para os próprios brasileiros. As pessoas estão cada vez mais interessadas na parte cultural que a cidade oferece, através dos seus museus, dos seus eventos, da gastronomia, e da sua vida noturna. É claro que a área cultural também sofre as consequências da pandemia.

No entanto, São Paulo, forte em turismo de negócios que também sofrerá bastante com a crise, tem muitas outras vertentes do Turismo ainda pouco aproveitadas. Entre elas o turismo ecológico e o turismo de base comunitária, onde a comunidade controla a sua execução. Mas, mais uma vez o turismo deve ser realizado de forma cuidadosa para não trazer problemas para os residentes destes locais.

Dentre vários roteiros temáticos que podem ser ainda mais incrementados e comercializados, temos passeios com guias de turismo especializados em arquitetura, arte grafite, religião, visita a comunidades urbanas ou rurais, imigração, em comunidades com perfis étnicos (indígena, quilombola) e até mesmo visita a túmulos. A imaginação não tem limites!

São Paulo também pode ser ponto de partida para inúmeros destinos interessantes como a histórica Baixada Santista e todo o belo litoral paulista, como outras do interior como como Campos do Jordão (a cidade mais alta do país) e diversos outros destinos que tendem a ser mais visitadas se organizarem produtos turísticos de forma regional, como circuitos turísticos que envolvem a visitação em mais de uma cidade. A lista de locais que poderiam ser visitadas em uma “bate e volta” seria gigante.

 

Enfim, acredito que apesar das incertezas e dificuldades daquilo que estamos chamando de “o novo normal”, com menor fluxo de turistas a curto e médio prazo e com os novos hábitos que estão sendo adotados, cabe ao mercado de turismo se adaptar, mas acima de tudo aproveitar a oportunidade para ajudar a criar esse novo cenário.

Profissionalismo, legalidade e segurança devem ser as palavras de ordem para que a atividade não somente retome sua sustentabilidade econômica, mas que também resulte em maior desenvolvimento social e ambiental.

Tenho certeza que as pessoas estão loucas para viajar e acredito que valorizarão mais o turismo.

Este é o momento de trabalharmos em parceria para potencializarmos os benefícios de um Turismo inteligente.

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