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Ramos de Azevedo o Construtor de Pontos Turísticos de São Paulo

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O Escritório Ramos de Azevedo, que recebe o nome de seu criador e diretor, foi o maior e mais longevo escritório de arquitetura do Brasil, que além das construções na cidade de São Paulo e no interior do estado, também participava de todas as grandes licitações pelo Brasil.

Quem passa pelo Theatro Municipal, mesmo que quase todos os dias, acaba reparando naquela obra de 1911. É comum perguntares sobre a realização de visitas monitoradas, datas de espetáculos gratuitos ou com preços populares. São questionamentos vindos de moradores da metrópole, imagine então o interesse dos que visitam a cidade de São Paulo, que além de se encantarem com a arquitetura do local, apreciam também um bom café no “Bar dos Arcos”, instalado no subsolo desse histórico centro de espetáculos.

O “Mercadão”, nome popular do Mercado Municipal de São Paulo inaugurado em 1933, foi reformado e ampliado em 2004 ganhando um mezanino. Virou atração turística tanto que as placas internas indicativas estão escritas em Português, Inglês e Espanhol. Já apareceu, com destaque, em várias novelas, inclusive com uma barraca de frutas, a “Barraca do Juca, pertencente, na ficção, a um dos protagonistas daquela teledramaturgia, que ao fim da história acabou assumindo o nome na vida real. Muitos visitam o lugar para saborear o pastel de bacalhau ou o suculento sanduíche de mortadela.

A Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), tropa do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, possui o “Quartel da Rota”, forte inspirado na “Legião Estrangeira“, em Marrocos, e inaugurado em 1892.

Às sextas-feiras, pontualmente 10 horas da manhã, recebe visitantes que vão conhecer não apenas o famoso batalhão da trope de elite paulista, mas também o prédio com seu famoso túnel de fuga, hoje desativado.

O Palácio da Justiça, na Praça Clóvis Bevilacqua que desde 1978 está incorporada à Praça da Sé, é uma obra inspirada no Palácio da Justiça de Roma. Está completa, com todos os ornamentos e alegorias à Justiça, uma porta monumental em ferro batido e lambris de madeira nobre feitos pelo Liceu de Artes e Oficios dão riqueza arquiteônica e artística ao prédio. Foi projetado em 1910 e inaugurado em 1933, mas antes de ser concluído já foram feitas ampliações, que forma que a edificação que conhecemos atualmente só foi inaugurada em 1942. Pode ser visitado todos os dias úteis das 12h às 17h. Os visitantes ficam encantados com a “Sala dos Passos Perdidos” e suas 16 colunas que pesam 15 toneladas cada. Os grandes vãos livres, uma novidade para a época, também são um destaque!

O Castelo onde está o Catavento Cultural (sim, um catelo!), é uma réplica do Castello Mackenzie, em Florença. Projetado em 1910, foi inaugurado em 1924 como “Palácio das Indústrias”. Teve vários usos até ser instalado o museu interativo, inaugurado em 2009, que tem o propósito de se dedicar às ciências. Também foi a Assembleia Legislativa do Estado (depois transferida para o Ibirapuera), DEGRAN ( Delegacia de Polícia da Grande São Paulo), recebeu a Prefeitura de São Paulo e depois ficou 5 anos fechado.

O “Caetano de Campos”, na Praça da República, está ali desde 1894. Instituição pública, referência nacional e com padrão de qualidade internacional foi um colégio de grande importância para a cidade e o prédio hoje é sede da Secretaria Estadual da Educação. Muitos indagam se há visitação no prédio, que em 1934 teve um andar acrescido, e embora não muito divulgada, há visitas monitoradas.

O Palacete dos Correios, inaugurado em 1922, foi construído em apenas dois anos. Foi o maior do Brasil na sua época e para quem passa por ali é difícil não reparar nele, seja a partir da Praça dos Correios ou avistado a partir do Viaduto do Chá. Quando entramos para usar o serviço dos Correios, ou visitar alguma exposição em cartaz, podemos apreciar sua grandiosidade, suas colunas… é um verdadeiro palácio!

O Museu da Energia, na Alameda Cleveland, é um belo casarão construído para o rico irmão de Santos Dumont. Depois de sua morte, a família vendeu o palacete, que foi transformado numa escola “Colégio Staford” que veio a falecer e por isso tomado pelo Governo. Com a costumeira lentidão de alguns órgãos públicos, o local foi invadido e depois de vários anos, boa quantia de dinheiro e muito trabalho de restauração, o imóvel foi transformado no Museu da Energia, sempre com exposições interessantes relacionadas ao tema que o batiza. É localizado em frente ao SESC Bom Retiro, o que dá bastante visibilidade para o casarão.

No Jardim da Luz, de onde foi tomado um pedaço para que fosse construída a Pinacoteca de São Paulo, aquele prédio de tijolinhos à vista… Não! Os tijolinhos são bem feitos, bem assentados, porém, as paredes deveriam ser rebocadas e ganhar um belo coroamento. Duvida? Repare nas paredes, os buracos para encaixe dos andaimes. A edificação foi erguida entre 1897 e 1900, porém, faltou dinheiro para terminar a obra, o que explica a falta do acabamento, algo não feito até hoje pois o prédio foi tombado pelo patrimônio histérico. A Pina, como foi apelidado o museu de arte, recebe muitos visitantes e é uma queridinha dos paulistanos, porém, a finalidade original do espaço era uma sede do “Liceu de Artes e Ofícios”, importante instituição , escola-fábrica (ou fábrica-escola, como preferir o leitor), que acabou se instalando na Rua Cantareira. De suas oficinas saíram lambris, esculturas e portas, portas essas que que são tema para tours em São Paulo.

 

 

A pergunta que fica, é: o que é comum nesses prédios?

Todos foram construídos por Ramos de Azevedo. Reparem na palavra: CONSTRUÍDOS. Não são os projetos, são as obras! Pesquisas sobre essas edificações revelam que são projetos de Domiziano Rossi ou Felisberto Ranzini.

Ramos de Azevedo vai estudar na Bégica, pois não havia escola de Engenharia aqui no Brasil, lá se forma engenheiro-arquiteto, lembrando que arquitetura, á época, era uma especialização da Engenharia. Foi professor na Escola Politécnica que ajudou a fundar, atuando também como vice-diretor e depois diretor, até sua morte em 1928. Tinha um grande escritório, com mais de 500 obras, já na virada do século XIX para o século XX, grandes profissionais fizeram parte de sua equipe, como Dubugras ou Maximilian Emil Hehl (autor do projeto da Catedral da Sé). Outros de seus colaboradores se transformaram em sócios, como Severo e Villares. Em razão do alto conceito no mercado, eles mantiveram o nome de Ramos de Azevedo, na Razão Social da Empresa, por 10 anos.

Ramos de Azevedo nunca considerou terceirizações na construção de suas obras, pelo contrário ele foi tercerizado para construir projetos de outros, como no caso dos norte-americanos Preston e Curtis, para a Light and Power, que originou o edifício Alexandre Mackenzie, algo que fica constatado na gravação em granito que embeleza a entrada do prédio, hoje Shopping Light.

Construiu muitos prédios públicos, grupos escolares, hospitais, penitenciária e construiu também muitos palacetes. Ramos de Azevedo se transformou em uma grife, morar em uma obra feita por ele e seu escritório era atestado de nobreza.

A maioria dos casarões foram derrubados, mas no centro de São Paulo temos vários prédios públicos ou comercias construídos por Ramos de Azevedo, um tour que passa por eles é uma verdadeira viajem pela história pauslistana.

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