HistóriaPatrimônio Historico e Cultural

Quão você conhece sua cidade?

2 Comentários

Há muito tempo, quando tinha eu meus 7 ou 8 anos de idade, sonhava em querer ser que nem meu pai. Afinal, qual criança não vê em seu pai, o seu herói, não é mesmo?!

Lembro-me ainda do cheiro do café, feito logo cedinho; junto com o pão-com-manteiga que logo-logo aprendi a chamar de “pingado”… E aí, desde então nunca mais me esqueci de como é acordar nesta cidade e ter que fazer tudo as pressas, sair correndo, pegar ônibus ou metrô lotado, andar muito a pé, e ainda por cima ter que sonhar acordado, pra poder continuar vivendo.

Foram estes sonhos que fizeram com que eu me levantasse bem cedo, e ao primeiro convite, lá ia eu, no caso da bicicleta de meu pai, junto com ele, entregar encomendas de carnes frescas – compradas no Mercadão – e entrega-las nos restaurantes do centro da cidade, o centro de São Paulo.

Ainda ecoa em minha memória as suas palavras:
– Veja… Olhe bem, preste atenção: esta rua é a rua Direita…
– Aquela é a XV…
– Tá vendo a outra, é a de São Bento…
– Ah! Nunca se esquece de “ler” o nome da ruas hein!

Ler o nome das ruas!
Tá aí uma atitude que até então passava despercebido e que por curiosidade, afinal todos nós quando crianças somos curiosos, ou não?!
Quem não se lembra ou quem já não é pai – mesmo adolescente – quando ouve seu filho lhe perguntar:
– Pai, por que isso, por que aquilo?

Ah! Mas era maravilhoso!
Quando somos pequenos tudo nos parece grandioso, gigantesco mesmo. Os prédios que eu via a minha volta pareciam respirar; as pessoas – estas – dava até pra ouvir o arfar de seus pulmões.

Fila de ônibus? Ah! Isso as novas gerações não viram nada!
Sim.. Claro, outras coisas piores e até melhores elas viram e ainda vêem, mas de alguma maneira pode ser que não do jeito que nós queiramos ainda… Ainda temos muito que construir, todos nós e ainda mais, todos juntos!

As vezes chego a pensar que nunca deveríamos ter crescido.
Sinto até hoje o cheiro do ar úmido da manhã, quando a cidade ainda não era tão poluída, mesmo com tantas fábricas próximas ao centro, em sua periferia.

Mas foi lendo os nomes, pegando os ônibus lotados, ficando em pé nas filas, parando de frente as bancas de jornais, aguardando meu pai na porta de restaurantes e bares do centro, que fui aprendendo a conhecer e mais do que isso, a gostar muito da cidade.

Poderia ter sido outra qualquer, ou mais que do isso, por que não também o meu bairro? O lugar onde eu morava, saí e voltei a morar lá de novo! A experiência seria igualmente fascinante.

O desafio do olhar!
O desafio de se dar a vez de lançar um “novo” olhar sobre esta cidade, sobre o meu espaço geográfico.

Foi isso que eu acabei me permitindo ao longo destes anos todos e é isso que queremos que você faça conosco a partir desta edição. Venha compartilhar, vivenciar, experienciar novas formas e atitudes e aventuras na redescoberta do seu espaço, do seu território. Você verá que surpresas não faltarão.

Poderão até dizer à você: Ah! Mas certamente surpresas não faltarão mesmo…
– Olha só lá…Quanta violência..
– E ali, olha ali…Quanta gente desempregada.
– Quer ver mais? Dê uma chegada na “cidade” e veja o universo do comércio informal e me diga se isto é uma aventura!

Eu diria á você: depende!
Depende do que queremos e do que esperamos que a cidade, que a comunidade queira nos dar de volta.

Acredito que em primeiro lugar, precisamos mudar de atitude, mudar nossa relação com ela, a cidade. Diria até que temos que aplicar a famosa tabelinha trazida de Harward (risos)… O chamada “TBC” ou pra os mais preguicinhas: tirar a bundinha da cadeira!

Você já fez isso?
Quantas vezes… uma, duas… quatro… dez vezes?

Se não, experimente uma vez só… Verá que o mundo todo aqui fora tá te esperando pra poder ser transformado, e quando falo transformado é no sentido mais amplo da palavra: transformação que em sua origem lingüística seria a soma de duas outras palavras: transforma + ação!

Então é o que lhe cabe, é o que nos cabe: Transformar com ação! Proceder à transformação!
Mas como proceder a uma transformação se sequer conhecemos o nosso entorno?

Entorno? Ihh! Complicou ainda mais?
Então que tal o “tour”? Mais complicado ainda?
Ah! É só lembrar daquele supermercado…Ah! lembrou né! Então, traduzindo do francês, é “dando a volta ou em torno de”. Humm! Complicado hein?!

Vamos simplificar! Nós estamos aqui pra ajudar e não complicar, senão vamos virar inventores de aparelhos pra medir complicômetros!

Faça uma experiência!
Pergunte a você mesmo: Eu conheço minha casa? Todinha, todos os quatro cantos, todos os pregos, rodapés, cantos escondidos…Todas as tralhas aonde estão? Ótimo, sabe tudo hein!

Outra pergunta pra você: E minha família, eu conheço? Conhece mesmo?
Quem são os que vivem com você, sabe o nome de todos completinho?
E de onde eles vieram, são todos daqui de São Paulo mesmo?
E seus pais, avós, tios, primos, sobrinhos, netos, bisavós?
Ah! Tenho quase certeza que conhece tudo, tudinho! Não? Humm… que pena!

Só mais uma pra deixar você bem “arretado”, talvez até “fulo” da vida comigo: E o “seu” bairro? Ah! Esse você conhece, tem que conhecer! Você não é de Marte…ou é? (socorro!)

Veja só, se a gente não consegue nem conhecer a nossa família… Como é que vamos querer conhecer outros locais que nunca estivemos?

Temos um péssimo costume, uma educação ainda que derrapa e que passa pela nossa herança, seja ela cultural, genética ou qualquer outro nome que se queira dar, que faz com que a gente se sinta como não participante do ambiente do meio em que vivemos.

Será que você já não sentiu ou notou isso antes?
Nos dá a impressão de que não somos chamados pra a “festa”, que aonde quer que vamos ou estejamos, se não formos “oficialmente” convidados, seremos os eternos penetras, entrões e indesejados, não é mesmo?!

Mas essa mudança de atitude dos outros com relação a nossa pessoa, só depende exclusivamente… (pausa).

Aliás, tá aí uma palavra que precisaria ser mudada em seu gênero, afinal ela dá indicação de exclusão e a gente não tá aqui pra excluir e sim pra incluir, ora bolas!

Bem, como eu ia falando, depende de nós (Ih! Até rimou com letra de música)…mas depende mesmo! Ninguém vai pegar você pelo braço aí na sua casa, tocar a campainha e dizer: Ei cara, vem comigo! A não ser se for pra correr riscos e entrar em alguma fria.

Não é isso que estamos propondo a partir deste momento!
Estamos propondo, convidando você a refletir, o quão eficiente e producente é você poder conhecer este universo que irá quebrar velhos paradigmas, costumes e irá produzir sedução e encantamento, irá valorizar a “sua” cultura e a cultura “local”, melhor dizendo tudo aquilo que você e os seus produzem no dia-a-dia, isso é cultura!

Através de ações, entrevistas, depoimentos, registros, poderemos lançar um novo olhar sobre a cidade, sua comunidade, tanto sob a ótica de quem passa como por quem mora na cidade, na comunidade. Vamos exercitar o resgate e a identidade locais, em respeito a todas as culturas e etnias habitantes.

Proporcionando um novo olhar sobre a cidade e comunidade, você verá que os moradores do centro em muito tem que aprender com aqueles que moram no entorno deste centro, a chamada periferia. Verá também que os que moram do lado de fora da zona central, nesta chamada periferia também tem muito que conhecer sobre o centro de tudo, onde a cidade nasceu, cresceu, se expandiu e acabou trazendo progresso, problemas, alegrias, tristezas, sonhos e fracassos, mas acima de tudo a certeza de que ainda somos uma população sensível à muitos desses problemas, e queremos melhorá-los sim, um tijolo por dia, não tem problema, mas continuamente e sempre seguindo em frente, até que construamos uma base sólida pra concretude dos nossos ideais.

Se você ainda não convidou um amigo, uma amiga pra ir até a cidade (o chamado centro) faça isso. Vá até lá e veja que ele tem muito a dialogar com você. Se ele – o centro – não foi chamado, convidado a ir até o seu bairro, lá longe, faça isso…Pegue o que há de mais positivo neste centro e procure aplicar na sua comunidade.

Deseje também a partir de agora que, o seu entorno cresça com qualidade. Que o centro da cidade, aonde você mora, seja irradiador de melhorias pra as comunidades mais distantes. Realize o intercâmbio, exercite a via de mão-dupla. Troque informações, correspondências, some conhecimentos.

Siga alguns passos que poderão fazer de você o personagem da nossa história, a Nova História da cidade de São Paulo

– Aponte a intersecção
– Crie oportunidades
– Destaque a integração
– Dissemine o conhecimento
– Divulgue a pluricultura
– Humanize a globalização
– Integre-se com a arte
– Interaja com o ambiente do meio
– Provoque a difusão
– Resgate suas heranças
– Retome o orgulho pela cidade
– Valorize sempre a receptividade

Tags: , , , , , ,

Posts relacionados

2 Comentários. Deixe novo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

Edifício Martinelli em São Paulo
Ramos de Azevedo o Construtor de Pontos Turísticos de São Paulo

Posts recentes

Menu