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Passeando pela São Paulo de Mário de Andrade

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Com certeza Mário Raul Morais de Andrade foi um paulistano que amou a cidade onde nasceu: a “Paulicéia Desvairada”, como a denominou no seu primeiro livro de poemas da primeira fase do Modernismo.

O amor de Mario de Andrade pela cidade era tanto, que no poema “Quando eu Morrer”, escrito em 1944 (um ano antes de sua morte), manifesta o desejo de seu corpo ser espalhado pela cidade.

Não poderia ficar sepultado apenas num lugar, como aconteceu: está no túmulo da família no Cemitério da Consolação.

Pés: na rua Aurora. Num outro poema nos informa que foi nessa rua que nasceu. Foi em 9 de outubro de 1.893, na casa de seu avô.

Sexo: no Paissandú. Ali era o local da vida boemia nos anos 20. Havia várias pensões para encontros amorosos, para as noitadas, vários bares estavam à disposição com bebida e conversa boas, inclusive, um deles ainda permanece, o “Ponto Chic” de 1.922, que mantém uma foto de Mário de Andrade em uma das paredes como lembrança, junto a de outro freguês famoso, Monteiro Lobato.

Cabeça: na Rua Lopes Chaves. Ali viveu de 1.921 até 25 de fevereiro de 1.945, quando falece de infarto em seu quarto. Viveu sem saber quem foi Lopes Chaves, como diz em outro poema. Brincadeira, claro, grande pesquisador que era facilmente saberia quem foi Chaves. Naquela casa, sua cabeça muito funcionou, pois como ele mesmo disse: “eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta”. Escreveu poesias, romances, ajudou a criar, na gestão do prefeito Fábio Prado, o Departamento de Cultura da Prefeitura, tornando-se assim primeiro secretário de Cultura no Brasil. Participou da criação do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), no Rio de Janeiro, à época, capital do Brasil. Ali em sua casa ministrou aulas de piano, instrumento que ainda está lá como última lembrança de tudo o que compunha a casa. Os móveis de madeira nobre, projetados por ele e executados no “Liceu de Artes e Ofícios”, sua vasta biblioteca, objetos de Arte, pesquisas, partituras, peças de folclore recolhidas em suas viagens pelo Brasil, estão desde 1.968 no “Instituto de Estudos Brasileiros”, na Cidade Universitária, após negociação do Governo do Estado com a família. Mas a casa continua sendo um local de Cultura: está instalada uma Oficina Literária, que tambén recebe diversas exposições.

Olhos: no Jaraguá, ponto mais alto no município de São Paulo, ponto ideal para observar a cidade, a propósito: Jaraguá em Tupi quer dizer “Senhor dos Vales”.

Ouvidos: “escondam no Correio o ouvido direito, o esquerdo no Telegrafo, quero saber da vida alheia”. Observando o majestoso prédio de 1.922 veremos que na bela fachada da praça está escrito “CORREIO” e na porta lateral, na Av. São João, está sobrescito “TELEGRAFO”.

Coração: no Pátio do Colégio, onde tudo começou, no dia 25 de janeiro de 1.554, com a celebração de uma missa. “Afundem o meu coração paulistano, um coração vivo e um defunto. Bem juntos”.

Podemos nos lembrar de Mário de Andrade em vários locais de São Paulo, além dos citados no poema, como o Theatro Municipal, onde ocorreu em fevereiro de 1922 a “Semana de Arte Moderna”, com uma participação fundamental do artista. Além disso, ali se apresentam o “Coral Paulistano”, o “Quarteto de Cordas” e a Orquestra Sinfônica, todos criados por Mário, quando Diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

O “Conservatório Dramático Musical”, na Av. São João – prédio do século XIX entre 2 prédios do século XXI na Praça das Artes – foi onde estudou em 1.911 e também foi professor de piano e dicção, em 1917 (o número de disciplinas lecionadas foram aumentando), até que em 1.938 se afastou do conservatório para não acumular cargos públicos, retornando em 1.941.

Outra lembrança é a “Biblioteca Infantil” na Rua General Jardim (o atual prédio é de 1.952, substituiu um antigo casarão onde, em 14/4/1936, foi instalada a Biblioteca Infantil), foi um dos projetos de Mário de Andrade, quando Diretor do Departamento de Cultura. Procurou democratizar a Cultura: se o povo não ia à biblioteca a biblioteca deveria ir até o povo (furgões levavam os livros para as praças públicas).

A Biblioteca Mário de Andrade, batizada com esse nome em 1960, por decreto do então Prefeito Adhemar de Barros, é uma justa homenagem, afinal foi seu primeiro diretor e um dos grandes incentivadores para a instalação desse imponente prédio, inaugurado em 1942. Não foi totalmente construído como o arquiteto francês Jacques Pillon, aqui residente, projetou, pois faltou uma segunda torre para abrigar os livros. Logo na entrada do prédio num pedestal de granito está a obra de 1945, feita em bronze por Bruno Giorgi, a cabeça de Mário de Andrade.

Na Praça da República, criou um dos Parques Infantis (hoje EMEI – Escola Municipal de Ensino Infantil) para as crianças carentes. Lugar para pratica de esportes, folguedos, para aprender trabalhos manuais e receber tratamento médico, dentário, além de alimentação. Mário não apenas criou esses espaços tinha grande carinho pelas crianças a ponto de visitá-las regularmente. Temos fotos dele, de paletó, gravata e chapéu de feltro, junto com as crianças humildes. Ele, o diretor do Departamento de Cultura, foi o o autor de diversos livros, sendo dois deles adaptados para o cinema: “Macunaíma” e “Amar, Verbo Intransitivo”.

Mário de Andrade escreveu também “Turista Aprendiz” onde relatou suas viagens por todo o Brasil, fotografando e recolhendo músicas do nosso rico folclore. Então, que tal ser um “turista aprendiz”, caro(a) leitor(a)?

Vamos passear juntos e e visitar os locais citados!

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