História

Paredes Enfeitadas no Centro de São Paulo

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Num primeiro olhar pode se pensar que o assunto abordado são os grafites, mas na verdade o contexto é mais amplo sob o olhar de um Guia de Turismo.

É inegável que o grafites despertam nossa atenção, coloridos, recentes, em locais onde nunca  grafites ou propagandas estiveram expostos, nas chamadas empenas cegas. Promovo passeios em que mostro esses grafites, claro,  mas mostram também outras formas de se enfeitar paredes.
Se começarmos essa caminhada partindo da estação Sé do metrô,já é possível ver na saída em direção à Praça João Mendes uma das paredes enfeitadas por uma obra de arte, um mosaico de autoria de Claudio Tozzi, a “Colcha de Retalhos”. Em seguida, no Palácio da Justiça, temos várias obras que embelezam a frente do prédio, são rosto de juristas e símbolos da Justiça, um acabamento comum nas obras de Ramos de Azevedo que contava com especialistas para esse trabalho.
Na parede da frente do Mercado Municipal temos o brasão do município e também Ceres, a deusa da Agricultura. Seguindo pela rua Direita,vamos até o Edifício Triângulo de Oscar Niemeyer, na entrada do prédio painel de Di Cavalcanti (foto), infelizmente mal-cuidado, com remendos grotescos, porém, se entrarmos no prédio, podemos apreciar os bem cuidados painéis, que representam trabalhadores, enfeitando as paredes internas. Em frente a uma das laterais do “Triângulo”, um prédio considerado moderno com fachadas em vidro, contrastando com aquele cenário está o Palacete Tereza Toledo Lara, com elementos de decoração por toda a fachada. Apenas mudando a direção do olhar, ali mesmo, sem sair do lugar mas com um olhar apurado para a parede de um pequeno prédio na Rua Direita avistamos um colorido grafite inspirado em uma obra de Tarsila do Amaral. Dessa mesma série,  grafites inspirados em  obras de Tarsila e feitos por mulher, estão na  Rua XV de Novembro.
No Largo São Bento, enfeitando a parede de um prédio, ao invés de grafite está uma enorme foto de Raul Seixas feita por Rui Mendes, consagrado por um belo acervo de fotos de roqueiros. A 500 metros dali, na Rua Líbero Badaró, um muito colorido grafite do Binho, homenageando a cultura Hip-Hop. Pela rua Florêncio de Abreu seguimos em direção ao Mercado Municipal (para quem acha que só tem loja de ferramentas nessa rua é porque não percebeu a quantidade de antigos e belos prédios naquela rua, com as fachadas todas enfeitadas, que já foi uma das mais importantes vias no século XIX). Já próximo ao “Mercadão” um grafite diferente, inspirado também na obra “Operários”de Tarsila do Amaral, mas ao invés de tinta, temos a lama de Brumadinho nos lembrando da tragédia que aconteceu na cidade mineira, quando a barragem se rompeu. Um pouco mais à frente, em outra lateral de prédio João Gilberto e seu violão.
O Mercadão, construção de 1928, nos presenteia com enfeites nas paredes externas e internas: maravilhosos vitrais, produzidos pela famosa Casa Conrado, inspirados em fotografias de plantações de frutas, verduras e criação de aves, ou seja, tudo o que era comercializado naquele grande entreposto, o que inclui os meios de transportes utilizados.
Como afirmei, não é apenas a arte do grafite que enfeita a parede, mas também outros estilos artísticos e principalmente, a História!

 

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