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Obras de Arte em Higienópolis

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Com a Arquitetura Moderna começou uma interessante junção da arte e técnica de organizar espaços e criar ambientesas com as artes plásticas. Tudo isso pode ser conferido num prazeroso passeio pelo bairro de Higienópolis, próximo ao Centro da Cidade São Paulo.

Logo no início da Av. Higienópolis, no Edifício Lausane, com 15 pavimentos, projetador por Franz Heep, construído de 1953 a 1958, podemos ver painéis de Clóvis Graciano, parte do lado de fora do hall, visível da calçada, e parte dentro do hall. Hoje os prédios, em função da segurança, são protegidos por grades, não foram pensados assim, havia integração entre o prédio e a rua.

Um pouco mais à frente, na mesma avenida, fica o icônico Prédio Prudência e Capitalização, projetado por Rino Levi com colaboração de Roberto Cerqueira Cesar e Luiz Roberto Carvalho Franco, construído entre 1944 e 1948. O material publicitário de seu lançamento dizia ser o mais luxuoso da América do Sul: 4 dormitórios, 2 banheiros, (algo pouco comum para a época) e 2 quartos de empregada. Com paisagismo de Burle Marx, o que já é uma obra de arte, há também cerâmicas feitas por ele, decorando todo o hall e visível a partir da calçada. Essa parceria aconteceu também em outras obras: Galeria R. Monteiro, na Rua Vinte e Quatro de Maio, e na Casa de Olívio Gomes, em São José dos Campos, hoje fazendo parte do Parque da Cidade.

Na Rua Maranhão, esquina com Rua Itacolomi temos o Edifício Diana, que foi projetado por Victor Reif, construído de 1956 a 1960, com 16 pavimentos, nos amplos jardins podemos apreciar a escultura Diana de Domenico Calabroni.

O arquiteto João Kon, produziu mais de duas centenas de prédios residenciais, sempre convidando artistas plásticos para embeleza-los. No Edifício Condor, de 1960, na Rua São Vicente de Paula, está o belo mosaico do artista israelense Gershon Knispel, que também realizou, a pedido de Assis Chateaubriand, os mosaicos com tema Índios, no prédio da TV Tupi, inaugurado em 1960, na Av, Professor Alfonso Bovero, no alto do Sumaré.

Voltando à Higienópolis, na homônima avenida do bairro, está localizado o luxuoso Edifício Nobel projetado pela arquiteta italiana Maria Bardelli. Ela com o esposo Siffredi projetaram também o belo Prédio Domus, na rua Sabará, que lembra os decks de um navio. Diversas galerias no centro da cidade, foram projetadas por eles, a Galeria do Rock e a galeria Nova Barão, nessas duas galerias inseriram trabalhos do artista italiano Bramante Buffoni. O Nobel também nos apresenta os trabalhos desse artista: um grande painel com 2,46 m x 8,56 m com tesselas de vidro exibe, à esquerda, representações abstratas de Aves, no centro de Àrvores e à direita de Peixes. Está numa parede curva, construída especialmente para ele, distanciada do terraço. Na fachada do prédio, faixas decoradas entre as janelas. Nos andares ímpares: com formas derivadas de Losangos, nos andares pares: de Retângulos.

Na Rua Piaui, esquina com a Av. Angélica, Jacques Pilon arquiteto francês, residente em São Paulo, projetou em 1935 o elegante Edifício Santo André, a pedido do Conde Andrea Matarazzo, pai de seu sócio. Todos os apartamentos estão de frente para o Parque Praça Buenos Aires e na entrada do prédio, toda em material nobre, vemos a escultura de John Graz (Suiça 12/04/1891 – SP 27/10/1980), pintor, ilustrador, decorador, escultor e artista gráfico. Chegou ao Brasil em 1920 e foi um dos participantes da Semana de Arte Moderna. A partir de 1923, inicia o projeto inovador de decoração de casas projetadas por arquitetos famosos.

Rubens Corsi ao projetar o Edifício Irajá, no terreno, na esquina das Ruas Aracaju e Pernambuco, aproveitou o declive do terreno e construiu uma entrada para pedestres e uma para os carros. Encima dessa entrada está o discreto painel em mosaicos com pastilhas de vidro Passáros em Vôo, também de Clóvis Graciano. Na entrada para pedestres, numa parede diante de um gramado, onde havia antes um espelho d´água podemos apreciar um painel em mosaico com cores fortes, contrastantes, mostrando adultos e crianças em jogos e brincadeiras. Clóvis Graciano morou nesse prédio.

Finalizamos nosso tour no famoso Edifício Louveira, tombado pelo Patrimônio Histórico, um dos clássicos da Arquitetura Moderna, projetado por Vilanova Artigas com colaboração de Carlos Cascaldi, construído entre 1945 a 1948. Numa área de 5.400 metros quadrados, na Praça Vilaboim, esquina com Rua Piauí, 2 blocos afastados por 20 metros são interligados por uma rampa sinuosa sobre os jardins. Não há grades isolando os prédios. Podemos então nos aproximar da porta envidraçada do prédio que fica na esquina da Rua Piaui e ver parte do painel interno, uma paisagem pintada por Francisco Rebolo, artista do Grupo Santa Helena. Além de consagrado pintor foi jogador profissional de futebol e, por volta de 1930, autor do distintivo do Sport Clube Corinthians, um dos times onde atuou.

Se você é apreciador da boa arquitetura e de belas obras de arte precisa fazer esse passeio, com certeza irá gostar!

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