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O que a Caminhada Noturna representa para mim?

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As ruas da região central da cidade de São Paulo ficam mais animadas às quintas-feiras, a partir das 20h. De 50 a 100 pessoas participam todas as semanas do projeto Caminhada Noturna, que promove um percurso cultural e gratuito, de duas horas, pelas imediações do Teatro Municipal – seu ponto de início e fim.

A caminhada representa algo muito importante, tanto na minha vida pessoal como na vida profissional, por vários motivos. Mas antes de começar a falar sobre isso, te convido a assistir esse vídeo, que já tem 8 anos, e sentir mesmo à distância um pouco da energia!

Em 2012, no livro que publiquei, “Quando Começou em São Paulo? 458 respostas pelo Guia de Turismo Laercio Cardoso de Carvalho“, agradeci aos que haviam contratado meus serviços, ou nos acompanhado na Caminhada Noturna pelo Centro, com mais frequência, fazendo com que eu estivesse constantemente pesquisando sobre nossa cidade. É o trabalho que me faz estudar mais sobre nossa cidade.

Nosso rolê, que ocorre todas as quintas-feiras, desde 2005, sempre com o mesmo horário de saída, (20h) partindo do mesmo local (escadarias do Theatro Municipal, inicialmente saíamos das escadarias da Biblioteca Mário de Andrade), com duração que varia entre duas horas e duas horas e meia, e com a proposta de toda semana oferecer um tour diferente na região central, é um grande desafio!

Pelo horário não podemos contar com visitas a exposições e nem acessar espaços culturais – salvo raras exceções, como quando vamos, em dezembro, à “Exposição de Presépios”, no convento de São Francisco, que é aberta ao público até às 18h, porém, a Caminhada conta com um acesso pelo convento, na Rua Riachuelo, onde somos recebidos com muito carinho pelos freis, que normalmente só permite o acesso pela igreja. Uma outra restrição superada, foi quando entramos na “Praça das Artes”, e apreciamos o interior da premiada obra, ouvindo explicações do projeto por um de seus autores o, arquiteto Marcos Cartum, quando ele gentilmente participou da Caminhada Noturna.

Carlos Beutel, idealizador e patrocinador da Caminhada, graças a seu prestígio consegue a participação de renomados convidados, que generosamente falam sobre os temas que dominam. Já participaram entre tantos: Laurentino Gomes, quando do lançamento do livro “1808“. O jornalista Moacir Assunção, por várias vezes falando sobre os temas: “Guerra do Paraguai”, “Revolução de 24”, “Lampião , todos assuntos relacionados aos livros que escreveu. O professor de Arquitetura José Eduardo de Assis Lefévre, autor do livro “São Luiz de Beco a Avenida – a História da Rua São Luiz“. O arquiteto Walter Pires, então Diretor do DPH (Departamento do Patrimônio Histórico), em várias oportunidades. O arquiteto Michel Gorski, autor do premiado projeto do Vale do Anhangabaú, inaugurado em 1992 e destruído em 2019, Álvaro de Moya, falando sobre Cinema e muitos outros assuntos.

Com a participação dos convidados temos que montar um roteiro que se adapte ao que eles vão compartilhar. Às vezes é bem fácil, como no caso do Anhangabaú em que o próprio Michel Gorski definiu qual seria o roteiro e o que desejava mostrar. O tema “Guerra do Paraguai” também não apresentou dificuldades pois, várias ruas do centro, indo em direção à Av. Duque de Caxias, nos lembram esse conflito, como a Rua 24 de Maio, Largo do Paissandu , Rua Aurora, Rua Vitória e a Rua General Ozório.

Algumas vezes foi mais difícil, como no tema “1808”. O que temos aqui em São Paulo desse período? E na região central? Quase nada! Sobre o que antecede o ano-título do livro é a Igreja Nossa Senhora do Rosário, no Largo do Paissandú, pertencente à “Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos”, criada em 1711 (não naquele local, mas existente até hoje), e o “Jardim da Luz”, criado em 1799, para ser um horto de aclimatação. O mais importante foram as explicações dadas por Laurentino Gomes sobre o que representou para o Brasil a vinda da corte portuguesa (talvez fazer uma caminhada com esse tema no centro da cidade do Rio de Janeira seja incrível!). Em outras vezes, é praticamente impossível, porém, o tema é tão interessante que apenas seguimos um trajeto e o convidado vai expondo o assunto. Tive então a oportunidade de conhecer de perto grandes nomes que nos deram excelentes “aulas”, mas além do conhecimento adquirido e do contato com pessoas bastante capacitadas, ganhei uma visibilidade profissional muito grande.

Apareci em várias reportagens de diversos canais de TV e posso citar alguns:

  • Em 2007 no “Globo Reporter“,
  • Em telejornais na TV Gazeta
  • Matérias feitas por alunos de curso de Rádio e TV
  • Várias reportagens em jornais e revistas com grande circulação
  • Várias matérias feitas por alunos de Jornalismo.
  • A TV Aparecida, que tem uma audiência importante em todo o Brasil, há 8 anos, apresentou uma matéria sobre a Caminhada desde seu início até sua finalização e sugerindo que todas as cidades deveriam fazer algo semelhante, veja:

Nas redes sociais os frequentadores divulgam as Caminhadas com fotos, filmagens, comentários, compartilhamentos. Participam da Caminhada vários fotógrafos, amadores, mas com equipamentos e qualidade profissionais, e que postam suas belas fotos no Flickr, inclusive, várias delas já estiveram presente em exposição nas Estações do Metrô.

Toda a divulgação é feita pelo site, e no início do mês milhares de pessoas recebem por e-mail ou WhatsApp a programação mensal. Calculem quantas pessoas, mesmo não indo sempre à Caminhada ficam sabendo do nosso trabalho!

No plano pessoal, a Caminhada também foi importante para mim. Fui agraciado com a amizade de muitos participantes, conversamos não apenas ali, nos momentos da Caminhada, mas também por email, WhatsApp, trocando mensagens de aniversário e de Natal. Muitos se preocuparam comigo quando, em 2017, sofri um acidente em Campos do Jordão e me ausentei em algumas quintas-feiras – perguntavam se eu precisava de ajuda, queriam até me visitar!

Gratificante é ver a confraternização entre os caminhantes, amizades que surgiram e que não ficaram restritas aos encontros nas quintas-feiras. Passeiam por São Paulo, independente de Caminhada, viajam, visitam e socorrem os que precisam.

Outra alegria oferecida pela Caminhada é atestar que as pessoas passaram a se interessar mais por São Paulo. Várias vezes ouvi comentários como: “sabe aquele museu que você falou na quinta passada? Domingo eu fui lá e gostei”, ou, “Comprei aquele livro que você falou na Caminhada”. Me contam de lugares interessantes aqui em São Paulo que foram conhecer. Dão sugestões para novas Caminhadas.

Tenho criado vários tours, aos sábados ou aos domingos, visitando espaços fora da área central, marcando o ponto de encontro na estação de metrô mais próxima. Como não tenho patrocínio para esses passeios, preciso cobrar, e muitos que participam gratuitamente da Caminhada topam pagar pelos meus tours e de tantos outros realizados por vários guias de turismo. Fotografam, postam nas redes sociais, comentam dos outros passeios, isso é uma prova que passaram a gostar mais de nossa cidade, de querer conhecê-la cada vez mais.

Essa é a grande recompensa. Lembro que em 2007 no “Globo Repórter” ao ser indagado “qual é a sensação de mostrar a cidade para o morador?” Respondi:

É uma satisfação muito grande você mostrar a cidade para o morador, aquele sujeito que fala assim: “Eu nasci aqui, moro aqui há tantos anos, sempre trabalhei no centro, sabe que eu nunca reparei nisso?”.

Enfim, é a sensação da missão cumprida!

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