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Masp: quando um vazio está repleto.

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Um vazio cheio de significados. Essa á a impressão que surge quando penso no Masp. Seu formato singular, com um vão livre de 8 metros de altura, dividindo o museu em duas partes, tornou-se símbolo da Avenida Paulista. 

Antes mesmo que o museu existisse, o espaço abrigava o Belvedere Trianon, famoso reduto de encontro da elite paulistana, que contava com restaurantes, galerias e um mirante, que garantia a vista para o centro de São Paulo. 

Por muito pouco não seria um museu paulistano, mas carioca. Seu fundador, o magnata da comunicação Assis Chateaubriand, inicialmente pensou em criar o museu no Rio de Janeiro, mas como São Paulo na época era a cidade com mais recursos financeiros, Assis optou por criá-lo aqui.

Além disso, o MASP não nasceu na famosa avenida. Seu primeiro endereço foi no centro da cidade, na Rua Sete de Abril, em um edifício projetado por Jacques Pilon, mas que à época da inauguração do museu (1947), ainda não estava finalizado. Esse fato ajudou a criar boatos de que a despeito de começar com uma coleção de obras com valor considerável, estas fossem falsas.

Afinal, como que peças tão únicas poderiam estar em um ambiente em obras? Para sanar estas dúvidas, teve início uma verdadeira turnê por vários países, como França, Bélgica, Alemanha, entre outros. Após grande sucesso na Europa, a coleção conseguiu afirmar-se como verdadeira. 

Para criar este acervo, Assis contou com o colecionador de artes italiano Pietro Maria Bardi. Com grande conhecimento, ele auxiliou Assis a navegar no conturbado mercado de artes do pós guerra, período que facilitou a aquisição de um elevado número de obras, pois o continente europeu ainda estava em processo de recuperação.

Com uma coleção cada vez maior, fazia-se urgente a aquisição de um novo espaço. Neste capítulo, a participação da arquiteta italiana Lina Bo Bardi é de extremo destaque. Lina já era peça chave do museu com seus projetos museográficos. 

Ela assume o projeto de criar um edifício que representasse a importância da coleção, com um desafio extra: para utilizar o terreno do antigo Belvedere Trianon, que havia sido demolido, qualquer construção que ali se instalasse deveria manter a vista para o centro da cidade, condição esta designada pelo doador do terreno, Joaquim Eugênio de Lima. E assim ela o fez, brilhantemente.

Inaugurado na avenida Paulista em 1968, o Masp possuiu por muitos anos o maior vão livre da América Latina e agora apresenta-se como uma grande praça pública, conhecido ponto de encontro na avenida. A estrutura tornou-se tão famosa quanto o acervo, que conta nos dias de hoje com cerca de 11 mil peças. 

O Masp destaca-se entre os altos prédios, com uma estatura menor, mas nem por isso menos impactante.

Externamente, grande ponto de destaque são os pilares vermelhos. Apesar de estar no projeto de Lina Bo Bardi desde o início, a cor vermelha só foi utilizada mais de vinte anos após a inauguração na Paulista. Segundo a arquiteta, na época da inauguração o Brasil estava sob ditadura militar e a cor vermelha era associada a ideais condenados pelo regime. Somente com a reabertura democrática (e a necessidade de impermeabilização), os pilares foram cobertos. 

Mais um vazio, uma ausência que revela muito, em um ícone de São Paulo.

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