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Modernistas no Cemitério da Consolação

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O Cemitério da Consolação abriga mais de 8.000 túmulos, com mais de 300 esculturas em diversos materiais feitos por consagrados artistas.

O vasto acervo artístico presente na mais antiga necrópole em funcionamento na cidade de São Paulo, proporciona a oportunidade de realização de diversos passeios temáticos, como o de “Obras de Consagrados Escultores”, onde temos acesso À arte de Brecheret, Emendabili, Brizolara, Nicolina ,Vaz e Bruno Giorgi, ou o tour de “Arte Tumular”, mostrando belos trabalhos de Nicola Rollo, Amadeu Zani, Eugênio Prati e Materno Garibaldi, que são escultores consagrados, mas menos conhecidos por não terem obras em praças públicas. Outras opções seriam “Sepulturas de Famosos”, que nem sempre são grandiosas (algumas tumbas são até bem simples) e “Mausoléus de Imigrantes”, este com obras majestosas, ostentando na morte o triunfo em vida.

blog do Rafael Pita – rafaelpita.blogspot.com/

 

Algo que julgo especial, e por isso agora proponho é o roteiro: “Os Modernistas no Cemitério da Consolação”. Isso se justifica pelas personalidades que estão ali sepultadas, ou represerntadas por sua arte:

  • Paulo Prado, intelectual que incentivou a criação da Semana de 22, além de ser um rico fazendeiro que alugou o Theatro Municipal para a realização da famosa Semana;
  • Dona Olívia Guedes Penteado, também muito rica e culta, sendo a grande “patronese”
  • Obras de Brecheret, como “O Sepultamento”, no túmulo de Dona Olívia e “O Anjo”, no túmulo da família Botti.
  • Escultura criada por Bruno Giorgi, para o tumulo de Armando de Salles Oliveira, o interventor de São Paulo que assinou o decreto criando a USP.
  • Duas belas esculturas do maranhense Celso Antonio de Meneses, o Gênio Esquecido,
  • Tarsila do Amaral, consegrada pintora modernista, tem seus restos mortais na quadra 36 do terreno 46, que decepciona muitos que vão visitar seu tumulo pela ausência de itens artísticos.
  • Mário de Andrade, escritor, poeta, agitador cultural e pesquisador, também está no Cemitério da Consolação, em um túmulo simples, junto de seus familiares.
  • Outro grande Modernista, o Oswald de Andrade, está num túmulo familiar mas em mármore. Diante desse túmulo, e dos familiares que já estavam ali sepultados, casou simbolicamente com Pagu. Hoje estão lá seu avô, mãe, filhos, esposas e seu pai o vereador Josè Oswald Nogueira de Andrade.

                   Oswald de Andrade (1890 – 1954)

 

Josè Oswald Nogueira de Andrade, tem um papel importante na história deste cemitério, Em 1901 ele, na Câmara Municipal, alertou que São Paulo já era uma cidade rica, já havia até outros cemitérios, mas que o da Consolação precisava de reforma. Sua estrutura , tinha pórtico, muros e capela considerados arquiteturalmente feios, não estavam no nível esperado de uma cidade como São Paulo. Assim, o arquiteto Ramos de Azevedo (que por sinal também está sepultado ali), projeta o atual pórtico de entrada, reforma a capela e realiza uma série de embelezamentos, até que em 1909 o vereador pôde declarar que “o Cemitério da Consolação tornara-se a primeira necrópole de São Paulo, por todos admirada, principalmente pelo visitantes estrangeiros“.

Pois é… graças ao pai de um dos Modernistas temos os roteiros turísticos para paulistanos, paulistas, brasileiros de outros estados e estrangeiros, no Cemitério da Consolação. Agora, é conferir de perto!

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