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Liberdade de Muitas Crenças

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Uma das particularidades de São Paulo é a expressiva quantidade e variedade de templos, pois grande é aqui a diversidade de religiões. Isso acontece não porque a população da cidade passe de doze milhões, mas pela existência de mais de sessenta etnias convivendo harmoniosamente em nossa cidade. Cada etnia trouxe duas, três ou mais religiões.

Vejamos por exemplo, os árabes que para cá imigraram. Alguns são católicos romanos, outros católicos maronitas, ou greco-melquitas, ortodoxos, vários são muçulmanos. Os japoneses: budistas, xintoístas, adeptos da “Scheicho-No-Ie”, da”Perfect Liberty” da “Messiânica Mundial”. Mesmo imigrantes católicos trouxeram devoções diferentes das que aqui eram praticadas. Exemplo, devoção à Nossa Senhora da Achiropita, a São Vito e vários outros.

As devoções, os templos, as festas oferecem um tipo especial de Turismo, o Turismo Religioso, apresentado em mídias especializadas, folhetos de Secretária de Turismo e o bairro da Liberdade é bem representativo nesse assunto. Num trecho não muito extenso estão presentes um grande número de templos religiosos e conhecer esses ligares, ainda que nem todos, alguns só por fora (em função do tempo), é um passeio interessante.

Começando na estação “Japão-Liberdade” duas igrejas católicas bem interessantes e únicas, a Igreja de Santa Cruz das Almas dos Enforcados, ou popularmente Igreja das Almas, e a Capela Nossa Senhora dos Aflitos, isso na travessa da Rua dos Estudantes, que já falamos em outro texto sobre o bairro da Liberdade.

Caminhando pela Avenida da Liberdade, vamos ver a primeira catedral nesse passeio (serão três). Essa é desde 2005 a Catedral Metodista. Até então, era apenas uma igreja, inaugurada em 17/07/1922, após dois anos de construção com a pedra fundamental colocada em 28/11/1920. Os metodistas estão em São Paulo desde 1889, começaram num pequeno espaço no Largo do Tesouro, na região central, passaram por vários locais até a vinda para a Liberdade. A igreja Metodista começou na Inglaterra, depois foi para os Estados Unidos e de lá vieram missionários para o Brasil. È uma derivação do protestantismo. Até 1930 a Igreja do Brasil estava ligada à Igreja dos Estados Unidos.

Prosseguindo pela Av. da Liberdade, chegamos à Rua São Joaquim. Logo no início, próximo à estação do Metrô, está o templo da “Sukyo Marikari”,  inaugurado em 2016. Uma construção moderna, recuada, com um belo jardim da calçada até o prédio com 4 pavimentos, 2 subsolos, cobertura e com 2.056 M² de área construída. “Marikari” é religião nova, fundada em 02/08/1959, no Japão, por Yoshikazu Okada. Lá tem mais de 1000 sedes, no Brasil 59.

Vizinho à “Marikari” um prédio que lembra cinema, e realmente foi: o cine Tóquio. Inaugurado em 1954 funcionou até os anos 80. Depois passou a ser templo da “Assembleia de Deus Nipo-Brasileira”. Atualmente é um espaço cultural, inclusive com um belo teatro, pertencente à Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, instalada em frente, num interessante templo, desde  abril de 1961, quando foi inaugurado.

Entrando à esquerda, na Rua Taguá, avistamos uma imponente igreja ao lado de um colégio é a Igreja Adventista do Sétimo Dia Central Paulistana. Os adventistas estão naquele local desde 1928 quando compraram o terreno. A igreja foi inaugurada em 18/05/1929 e passou por várias reformas até se transformar no prédio atual. Começaram em São Paulo em 1911, numa casa alugada no bairro do Brás. Passaram por vários locais até a compra do terreno na Liberdade. Ao lado da igreja está o Colégio Adventista Liberdade, fundando em 1923.

Também na Rua Taguá, esquina com a Rua São Joaquim, vemos uma parede revestida com pastilhas e o o emblema do Exército de Salvação, conhecido por todos pelas campanhas dos bazares com objetos doados. O que muitos desconhecem, é que o Exército de Salvação é uma religião e que ali é um templo. Para quem ainda duvida, uma faixa esclarece que ali é uma Igreja Cristã com os horários de culto. Foi fundada na Inglaterra, em 1865, pelo casal William e Catherine Booth que estavam inconformados diante da injustiça geradora da miséria e exploração do homem pelo homem. Entendendo-se chamados por Deus, declararam guerra ao vício e ao pecado em um dos bairros mais miseráveis de Londres. Atuam em 118 países e chegaram ao Brasil em 1922 (em São Paulo em 1924). Seus pastores são chamados de oficiais e os membros de soldados ou sargentos. Usam farda e normalmente a missão é desenvolvida por marido e mulher.

Um pouco mais à frente, na Rua São Joaquim, outra surpresa interessante: o Templo Budista BUSSHINJI, da Escola Sotozen. O grupo de monges chegou ao Brasil em 1955, começando as atividades numa casa alugada. Nesse local estão desde 1994, em 2008 o templo foi ampliado. Fica logo na entrada de um terreno bastante extenso e com forte declive. Além do que se vê estando na calçada, o templo tem vários outros espaços no subsolo. Vale uma visita interna, e a participação em uma das cerimônias. A principal atividade, desenvolvida ali, é a meditação.

Entrando à direita na Rua Galvão Bueno chega-se á Rua Tamandaré, a rua com duas catedrais (coisas de São Paulo)!!

No número 365, temos a Catedral Nossa Senhora do Líbano. Católica, mas do rito Maronita. Foi construída por volta de 1968 e reformada em 2014. A primeira igreja desse rito aqui no Brasil foi fundada pelo padre Yacoub em 09/02/1897 e ficava na região do Parque Dom Pedro. Ele Fundou também a Sociedade Maronita Beneficente, a primeira sociedade oriental no Brasil. Os maronitas são católicos apostólicos mas não romanos, seguem outro rito. Uma das missas aos domingos é rezada em árabe, as outras em português, mas mesmo nessas a “consagração” é feita em aramaico. Nos jardins, em tamanho reduzido, há a imagem em formato de estátua de Nossa Senhora no Líbano. No interior da igreja, essa imagem está pintada. A imagem de Nossa Senhora do Líbano foi instalada no primeiro domingo de maio, em 1908, num rochedo em frente ao mar, em Beirute. A estátua, feita em Leon, na França, em bronze, pintada de branco, pesa 15 toneladas com 8,5 metros de altura e com sua base construída em pedra que adiciona 20 metros de altura. Uma escada com 110 degraus leva os peregrinos até o pé da estátua. No prédio que faz parte da Catedral, além dos espaços para trabalhos paroquiais estão as instalações em São Paulo da TV Canção Nova

No número 710, está a Catedral de São Nicolau da Igreja Ortodoxa Russa. Consagrada em 06/08/1939, construída em menos de um ano, a pedra fundamental foi colocada em 13/11/1938. Construída para abrigar o bispo que havia chegado em 1934 por isso, desde seu início, é uma catedral. A comunidade estava organizada desde 1922, utilizavam para seus cultos a igreja ortodoxa sírio-libanesa na região da Rua 25 de Março. Também funcionou como um centro social mantendo tradições russas. Em dezembro é realizada a Tradicional Feira de Natal, com venda de produtos artesanais, comidas e bebidas típicas da Rússia. Além da aquisição desses produtos é a oportunidade de conhecer a igreja com muitos ícones e pinturas.

Continuando a subida pela Rua Tamandaré, uma igreja católica apostólica romana chama nossa atenção pelo seu estilo arquitetônico interessante. É a igreja de Santo Agostinho ao lado do colégio com o mesmo nome fundado em 1931. A construção da igreja teve início em 27/08/1911 e desde 1929 é paróquia. Se o exterior já no chama a atenção o interior merece uma visita detalhada. Altares entalhados em mármore italiano e madeira de lei. Vitrais referentes à vida de Santo Agostinho. Bela decoração.

Depois de passarmos por vários templos, e pelo esforço para vencer as ladeiras, teremos uma visão do Paraíso (do bairro, é claro… 😉), pois a igreja está num ponto elevado em relação à Rua Vergueiro e podemos contemplar o outro lado da encosta da 23 de Maio, Beneficência Portuguesa (agora só BP) e Hospital Alemão Oswaldo Cruz, depois da observação e fotos é só descer as escadas, nos despedirmos e entrarmos na Estação Metrô Vergueiro.

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