CulturaHistória

Largo de São Francisco

1 Comentário
O encontro das Ruas Benjamin Constant , Libero Badaró e Riachuelo, no Centro de São Paulo, acontece num dos locais mais importantes da história da cidade
Tudo começou em 24 de dezembro de 1642, quando a Câmara de Vereadores doa aos freis franciscanos, vindos do Rio de Janeiro, um grande terreno para que ali pudessem instalar um convento, este inaugurado em 17 de setembro de 1647, o maior construído até aquela época e que passou a ser um dos vértices do triângulo que delimitava a área central (os outros dois eram o “Mosteiro de São Bento”, de 1598, e o “Convento do Carmo” de 1592). Ao convento e à igreja da “Ordem Primeira”  junta-se a “Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco”, construída entre 1783 e 1787, sob orientação de Frei Galvão, que morou no convento  por mais de 60 anos.
Junto à  igreja está o prédio da Faculdade de Direito, inaugurado em 1941, a terceira edificação no mesmo espaço. No dia 11 de agosto de 1827, Dom Pedro I assina um decreto criando duas academias de Direito: uma em Olinda e outra em São Paulo. José Arouche Toledo Rendon, que iria ser  nomeado o primeiro diretor da Academia, era homem de confiança do Imperador e foi incumbido de encontrar um local para instalar a Academia. Indicou o convento dos franciscanos por haver salas disponíveis e uma biblioteca com mais de 5000 livros. Os frades cedem o espaço na intenção de colaborar com a cidade e acreditando que o empréstimo seria por pouco tempo,  o que não aconteceu: posteriormente, são expulsos do convento e o prédio é confiscado. A instalação do curso de Direito, aqui em São Paulo, foi muito criticada pela corte, por ser uma cidade muito acanhada. Diziam também, que os estudantes que viriam de todas as partes do Brasil teriam o sotaque estragado pelo linguajar caipira dos habitantes.
Os  jovens que aqui chegaram transformaram a cidade. Esse período foi tão importante que ela passa a ser designada por historiadores como o “Burgo dos Estudantes”. Casas se tornam pensões, serenatas passam a acontecer nas pacatas ruas e em 1903 é criado o Centro Acadêmico XI de Agosto, pioneiro no país, em 4 de abril de 1830. Josino do Nascimento e Silva e outros acadêmicos lançam o primeiro Jornal Acadêmico do Brasil, chamado O Amigo das Letras. Depois seguiram-se muitos outros, foram  autores, atores e espectadores envolvidos em diversas peças nos teatros existentes. Vários se tornaram  poetas consagrados como aqueles com o nome impresso na parede de entrada da faculdade. Castro Alves, baiano que aqui veio estudar é um deles, compõe poemas contra a escravidão, uma primeira luta social que antecedeu muitas outras, como contra a ditadura, contra a mudanças da faculdade para a Cidade Universitária  e também na Revolução Constitucionalidade de 1932, onde só as palavras não bastaram, sendo necessário pegar em armas. Muitos  se dedicaram a politica e 13 estudantes da Academia de Direito se tornaram Presidentes da República e tantos outros ocuparam cargos importantes na vida politica e social do Brasil.

Presidentes da República formados na Academia de Direito do Largo São Francisco, na foto falta ainda o ex-presidente Michel Temer, que ficou no cargo de agosto/2016 a dezembro/2018.

    

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Posts relacionados

1 Comentário. Deixe novo

  • Avatar
    Edson Alves Ribeiro
    4 de junho de 2020 16:09

    Belíssima explanação nos surpreendendo sempre com novos roteiros , fazendo nos transportar por eras longínquas.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

Caixa Cultural de São Paulo
A Casa da Ópera de São Paulo

Posts recentes

Menu