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Imigração Alemã no Brasil

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O Brasil sempre fez parte do imaginário alemão por diversos motivos:

  • Diversos cartógrafos alemães desempenharam um papel de muito relevo no contexto da descoberta do “Novo Mundo”. O primeiro mapa, no qual a linha da costa brasileira aparece relativamente detalhada (embora ainda muito imprecisa) é de autoria de um cartógrafo alemão chamado Johann Schöner, em 1515.
  • Na divulgação de conhecimentos sobre o novo continente houve uma participação decisiva de editoras alemãs, entre outros motivos, porque a imprensa tipográfica alemã era na época a mais desenvolvida, em decorrência da notável invenção de Gutemberg (em torno de 1450). Até o ano de 1600 foram lançadas na Alemanha 900 publicações sobre a América e até 1650, outras 1.300.
  • Ainda no século XVI, os banqueiros Welser e Fugger subsidiaram maciçamente a América do Sul – falarei sobre isso numa outra vez – e numerosos marinheiros e mercenários alemães participaram das expedições espanholas e portuguesas, sendo um dos mais conhecidos o Hans Staden.
  • Outro alemão, Alexander von Humboldt, fez sua famosa viagem pela América Latina no final do século XVIII e começo do século XIX e deu impulso depois para investigações de outros cientistas e aventureiros alemães, alguns integrando a comitiva da arquiduquesa Leopoldina. Um contemporâneo e protegido de Humboldt, Johann Moritz Rugendas, fixou em suas viagens as paisagens, natureza e a sociedade em seus desenhos e pinturas. Vale pesquisar “Viagem Pitoresca ao Brasil”, publicado em 1827, considerada a obra mais bela, de ratratação artística do Brasil pré moderno. Rugendas acompanhou ainda o naturalista alemão Georg Heinrich Langsdorff numa expedição prolongada (de 1821 a 1829) através do Brasil, a serviço do czar russo Alexander I.
  • Desde 1808, as cidades alemãs da Liga Hanseática mantinham comércio com o Brasil devido a abertura dos portos brasileiros por Portugal, pois o país já não era considerado uma simples colônia e sim a sede da Corte Portuguesa, permitindo assim a imigração de cidadãos não ibéricos. A maioria era originária das regiões de Hunrück, Mosela e Rheinessen. Em 1818 e 1820 já haviam sido fundadas por alemães as colônias de Leopoldina e Frankenthal, no sul da Bahia. Em 1825/26 a Prússia e a Áustria reconheceram a independência do Brasil.
  • Os alemães foram os primeiros imigrantes em grande escala que chegaram ao Brasil, já em 1824, quando Dona Leopoldina – princesa da Áustria – casou-se com o futuro Dom Pedro I, enviando assim imigrantes ao sul do Brasil, que precisava ser colonizado, para não correr o risco de perder terras para demais países vizinhos e garantir a estabilidade nas regiões fronteiriças, continuamente ameaçadas.

O que também colaborou com a imigração alemã foi a promulgação da Constituição Brasileira, que oficializava a soberania do Estado e permitia a imigração de pessoas não católicas, tornando assim atraente para a imigração.

Na verdade, no começo do século XIX já vieram alguns imigrantes alemães para o Brasil e demais países da América do Sul, principalmente pela difícil situação econômica na Alemanha durante e após as guerras napoleônicas. Depois de 1840, devido a revoluções e novas crises agrícolas na Alemanha, grandes levas de alemães se fixaram na capital (Rio) e também por toda a região sul do país. O Brasil tornara-se um destino muito bom, pois oferecia empregos, distribuição de glebas e isenção de impostos. Da parte dos alemães, muitos deles vieram ao Brasil então para fugir de impostos pesados, terras retalhadas por partilhas sucessivas, desemprego ou razões políticas e religiosas.

A colonização dos imigrantes alemães criou, com suas inúmeras propriedades agrícolas relativamente pequenas, tanto a base para a classe media no Brasil, como uma nova estrutura econômica no sul e centro do país, onde praticamente só existiam pastagens e monocultura de café. Os colonos alemães passaram a produzir alimentos não cultivados no Brasil até então, exemplo a batata, o que lhes conferiu o apelido de “alemães batateiros”. Algumas colônias transformaram-se em centros urbanos, com empresas comerciais e industriais que contribuíram bastante para a economia brasileira. Um exemplo ocorreu com Dr. Hermann Blumenau: este compreendeu que não bastava criar empresas agrícolas para fazer nascer comunidades colonizadoras capazes de sobreviver. Procurou, por isso, instalar um centro urbano, onde o setor agrícola fosse complementado pelo comércio, pela indústria e por instituições culturais e sociais. Seu povoado transformou-se logo num projeto-modelo de colonização. Escolas também sempre projetos importantes para os alemães.

Assim como outros imigrantes, os alemães e austríacos passaram a trabalhar em fazendas e outros ficaram nas cidades, trabalhando como operários, ferroviários, cocheiros, gráficos, tecelões, artesãos livres ou comerciantes. Muitos fotógrafos alemães vieram ao Brasil e fizeram diversos registros interessantíssimos durante o século XIX.

A viagem de navio era longa e árdua, e a chegada muitas vezes trazia a desilusão… O sistema adotado para atrair imigrantes europeus – apesar de se tornar depois um fracasso – foi o de parcerias, mas muitos não se adaptaram. Muitos foram iludidos pelas promessas de inescrupulosos agentes de imigração que agiam em nome de firmas brasileiras, alemãs ou do próprio Governo Imperial, interessados na introdução da mão-de-obra.

Mesmo durante este período chegavam ainda alguns grupos ao Brasil, porém não mais atendiam às necessidades da crescente lavoura, que passou a receber então mais italianos. Este momento marca também, além do início do ciclo do café e da crise escravocrata.

Desde 1880 a imigração européia ocorre em larga escala, suprindo a necessidade do produtor paulista de trabalhadores para a produção de café. A população da cidade salta de 50 mil para 300 mil habitantes em 1905, sendo composta de paulistanos e imigrantes italianos, como também espanhóis, portugueses, alemães, russos e japoneses, entre outros.

Em 1886 foi criada a Sociedade Promotora da Imigração, por iniciativa de Antônio Queiroz Telles, o Conde de Parnaíba, cafeicultor e presidente da província de São Paulo, que passou a bancar a maioria dos gastos com a imigração. Com o apoio da Sociedade, o imigrante viajava de graça desde o seu país de origem até as fazendas de café. Também foi criado o Patronato Agrícola, uma espécie de serviço de fiscalização do trabalho dos imigrantes nas fazendas de café, em 1908.

Em todo o Brasil, cerca de 4.904.021 estrangeiros vieram para cá entre 1819 e 1947. Destes, 235.000 eram alemães. Entre 1870 e 1907 chegaram 56.416 alemães no Brasil todo. Entre 1908 e 1953 chegaram 154.409 alemães no Brasil todo.

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