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Imigração Alemã em São Paulo

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A Galera Maria, com 226 imigrantes alemães, chegou ao porto de Santos em 13/12/1827.  Mais imigrantes alemães chegaram em Santos em 1828, totalizando mais de 900 pessoas então. Isso ocorreu por ordem imperial de Dom Pedro I, que chamou colonos alemães para ocupar um assentamento na atual região de Santo Amaro, com um sorteio dos lotes de terra em 29/06/1829. Estes fatos marcam o início da história da imigração para São Paulo, que veio a se acentuar mais nos anos de 1870, devido à produção de café.

Chegando no Porto de Santos, os imigrantes tinham um roteiro em comum: desembarcavam, tomavam o trem da São Paulo Railway até a estação no bairro do Brás e depois de um check-up, eram liberados para trabalharem na cidade ou eram contratados para fazendas.

A imigração era um negócio rentável para os plantadores de café: com o dinheiro da compra de cem escravos, o fazendeiro podia recrutar 1.666 imigrantes. O regime de trabalho era intenso, as mulheres e os jovens chegavam a cuidar de aproximadamente mil pés de café, enquanto os homens adultos tratavam de 2 mil pés. E não faltaram denúncias de abuso de poder, espancamento, estupros e assassinatos. Muitos colonos abandonaram as fazendas, rompendo o contrato ou fugindo da sanha dos proprietários. Muitos voltaram para o seu país de origem.

Estes conflitos se tornaram tão intensos e suas repercussões na Europa foram tão fortes que alguns países restringiram a imigração para o Brasil. Em 1859 foi estabelecido o Rescrito de Heydt, que proibia a propaganda em favor da imigração no Brasil, devido ao abandono dos imigrantes pelas autoridades brasileiras, e com isso a Prússia de certa forma proibia ou inibia a imigração de prussianos para cá.  Isto foi mantido mesmo após a unificação dos estados alemães, em 1871, com a criação do Império Alemão. Em 1872 foi inaugurado o Imperial Consulado Geral Alemão em São Paulo e a proibição de propaganda para imigrantes acabou sendo abolida em 1896.

Calcula-se que em 1887 existissem entre 12 a 15 mil alemães na província de São Paulo, e muitos optaram por se dirigirem ao sul do país, onde predominavam as pequenas propriedades particulares. Além dos que vinham e se estabeleciam desde o início na capital de São Paulo, houve aqueles que eram inicialmente moradores das fazendas, mas que partem em direção à cidade pela impossibilidade do acesso a terra, como também pela posterior crise do café. Muitas medidas legislativas incentivaram a vinda de imigrantes para se estabelecerem na cidade para as mais diversas atividades: vendedores de jornais, farmacêuticos, engraxates, compradores e vendedores de garrafas, peixeiros, mascates, ambulantes, alfaiates, mecânicos, motoristas, além de operários e artesãos qualificados, favorecendo assim o nosso desenvolvimento urbano.

Em 1889, após a legislação sobre a imigração ter sido alterada pela República, deu-se início a uma nova fase. Grande parte dos imigrantes alemães permaneceu nas cidades, ocupando posições mais privilegiadas do que seus antecessores. Muitos viviam por conta própria, sem participação direta de firmas particulares ou do governo, ou seja, sem o ônus das dívidas a pagar… propiciando assim novos empreendimentos e colaborando muito para o desenvolvimento urbano e comercial e a proibição de imigrantes alemães acabou sendo abolida em 1896.

Os alemães de Sao Paulo continuaram a cultivar seus antigos hobbies e reuniam-se nos finais de semana para cantar, dançar e jogar boliche. Várias opções que temos até hoje vieram da imigração alemã:

  • O primeiro clube para lazer, a Sociedade Alemã Germânia, atual Esporte Clube Pinheiros, surgiu em 1868.
  • O Yacht Club Santo Amaro, na represa do Guarapiranga, também foi fundado por velejadores alemães, em 1930
  • O Hospital Alemão Oswaldo Cruz, bem conhecido até hoje, foi fundado em 1897.

As duas guerras mundiais desencadearam novas ondas de imigração alemã. Nesta época a vida dos alemães no Brasil sofreu mudanças drásticas, pois era proibido falar alemão em público e as associações alemãs foram fechadas. A maioria das crianças alemãs frequentavam escolas particulares alemãs até 1938 e continuaram a ter aulas, porém durante as guerras com aulas em português.

Primeiras escolas alemãs em São Paulo:

  • O maior e mais antigo estabelecimento de ensino é o Colégio Visconde de Porto Seguro, fundado em 1878 como Deutsche Schule;
  • Em 1901 a Escola Alemã (atual Colégio Benjamin Constant) foi fundada na Vila Mariana por empregados alemães da Cervejaria Brahma.
  • O Colégio Humboldt, fundado em 1916, conta hoje com um total de 1300 estudantes.
  • O Colégio Imperatriz Leopoldina, fundado em 1923 no bairro de Santana.

Um detalhe curioso: após a Primeira Guerra, os países vencedores praticamente proibiram a Alemanha de continuar a desenvolver a aviação civil e então muitos peritos dessa área emigraram para a América Latina e tiveram influência decisiva na criação das companhias aéreas no Brasil e demais países próximos. Terminada a Segunda Guerra, tudo voltou gradualmente a normalidade.

Nas décadas de 1960 e 70 houve novamente muitos imigrantes alemães chegando em São Paulo devido a industrialização da cidade. Por volta do ano 2000, viviam na Grande São Paulo cerca de 17 mil alemães e milhares de descendentes (total quase 400 mil).

Alguns bairros fundados por imigrantes alemães:

  • Colônia
  • Parelheiros
  • Santo Amaro,
  • Brooklin,
  • Alto da Boa Vista,
  • Granja Julieta,
  • Vila Mariana,
  • Interlagos,
  • Vila Hamburguesa,
  • Vila Leopoldina (não foi em homenagem à Imperatriz, mas sim a Leopoldina Kleeberg, uma das sócias da empresa loteadora)
  • Regiões de Embu, Itapecerica e São Roque.

SÃO PAULO É A MAIOR CIDADE INDUSTRIAL ALEMÃ DO MUNDO!

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