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Higienopolis e Seus Casarões

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A opulência dos antigos casarões que pertenceram à burguesia paulistana nos áureos tempos do ciclo do café.

Um passeio a pé e guiado pelo bairro de Higienópolis é uma verdadeira aula de história. Um tour que passa pelos casarões ajuda a recontar o seu surgimento, no final do século XIX, de um loteamento feito por Martinho Buchard e Victor Nothmann visando a elite cafeeira. Situado num ponto alto da região, bem distante das margens do rio Tietê com suas enchentes e lagoas, origem de várias doenças, o local era saudável e por isso o nome Higienópolis.

Como propaganda para a venda do loteamento, com uma série de exigências e restrições para as construções, eram apresentadas:

  • Santa Casa de Misericórdia,em estilo gótico, de 1884
  • Vila Penteado de 1902, projeto de Carlos Ekmann para o Conde Álvares Penteado
  • Vila Maria, residência de Dona Veridiana Prado, construída em 1884.

Os casarões foram surgindo belos e grandiosos até a quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, que deixa muitos fazendeiros na miséria. Os casarões vão sendo vendidos e prédios projetados por consagrados arquitetos surgem. Novos proprietários de outros segmentos passam a morar ali, mais o glamour e o status do bairro não diminuem.

Restam ainda alguns casarões que podem ser mostrados por um bom Guia de Turismo. Na rua Maranhão temos o que restou da grandiosa Vila Penteado. Um pouco à frente na Av. Higienópolils, a partir de 1947, se instala a FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, por doação feita ao Governo do Estado. Na sequência, a Vila Maria, nome oficial da casa de Dona Veridiana Prado que ainda está em pé, mas com o terreno reduzido a um sexto do que foi em sua época de glória. Subindo a rua Itacolomi, na esquina com rua Maranhão, o primeiro casarão do loteamento,em 1895, a residência de Franz Muller, sede da antiga TFP e hoje Instituto Dr. Plinio Correa de Oliveira, que manteve a edificação muito bem cuidada. Mais acima, na esquina da rua Itacolomi com a rua Piaui, o casarão construído entre 1910 e 1918 para a família do ex-presidente Rodrigues Alves, que depois dessa época e até 2003 serviu de sede da Policia Federal. Nessa mesma rua Piauí, mais adiante, em frente à Praça Buenos Aires, outro belo casarão onde funcionou o Consulado do Japão. Na Av. Higienopolis, um casarão construído em 1922, inspirado no “Petit Trianon“, foi a residência da família Oscar Rodrigues Alves e hoje abriga o Instituto de Cultura Italiana, porém, já esteve ali instalado o “Circulo Italiano”, antes da existência do famoso prédio na esquina da Av. São Luiz.

Infelizmente as visitas são feitas sem que possamos entrar nos locais, até chegar ao Casarão Nhonhô Magalhães, rei do café na região de Araraquara. É um projeto de 1927, concluído em 1939 e o proprietário não chegou a morar nela (morreu antes). O terreno tem mais de 7 mil metros quadrados e a casa 2.500 metros quadrados com 40 cômodos, 5 andares e tombada pelo patrimônio histórico desde 1994. Já foi sede da Secretaria de Segurança Pública e em 2005 adquirida em leilão pelo Shopping Pátio Higienópolis, com a condição de restaurar e dar um uso social para o imóvel. Por isso, já podemos visitar uma parte do casarão, parcialmente restaurado e que abriga o “Paço das Artes”.

 

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