Patrimônio Historico e Cultural

Estação da Luz! Tempos de lembrar…

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Ainda ressoam por suas plataformas as conversas e o andar dos passageiros. Pessoas indo e vindo, olhando, observando…Todos personagens de ontem e de hoje. Passageiros desta Estação, que já possuía um nome de batismo, antes mesmo de nascer: Luz!

Por isso, não será difícil imaginar, apenas com o passar d´olhos pelo entorno, todo o vai e vem frenético, apressado das pessoas que ajudaram e ainda ajudam na construção da nossa cidade.

O ar da Estação já não é mais o mesmo. Pudera, os tempos são outros.

Mas ela ainda está ali, em pé, sólida, querendo a todo momento um dedinho de prosa conosco.

Conversa essa que, se fizermos um pequenino esforço, correremos o risco de ouvir seu clamor através das gigantescas vigas de aço, que viajaram milhares de quilômetros através do Atlântico, vindas de Glasgow até aportar por aqui, em nosso Estado com destino certo e duradouro. Aço esse que foi moldado por trabalhadores anônimos fincados do outro lado do mundo e, que também outros tantos trabalhadores, agora sim brasileiros e imigrantes – todos juntos e misturados – ali montaram como num quebra-cabeças, peça por peça.

No nosso imaginário, ainda podemos sentir o cheiro da lenha queimando nas fornalhas das antigas locomotivas, que tanto charme deram à Estação e à então “nova cidade”, que teimosa surgia dando sinais de pujança no longínquo início do século XX. Cidade, aliás, que cresceu impulsionada não apenas por essas máquinas a vapor, que percorriam quilômetros e quilômetros de trilhos interior afora e de lá para cá impulsionadas pela cultura cafeeira explodindo através de suas gigantescas exportações.

Toda essa arquitetura ainda é capaz de causar êxtase em quem a contempla. Percorrendo desde os saguões até as dependências internas, muitas delas trabalhada em madeira, montadas que foram nos antigos galpões do Liceu de Artes e Ofícios por técnicos e alunos que bebiam dos conhecimentos de seus mestres nas mais variadas especialidades: arquitetura, marcenaria, carpintaria, serralheria, decoração, desenho, pintura e modelagem.

Quando passado pelos chamados guarda-corpos das plataformas, percebe-se uma só preocupação: a intenção foi a de deixar perpetuado através daqueles currículos, o espírito que compunha os homens de toda uma época: A Belle Époque!

Nem os incêndios que a acometeram em momentos singulares de sua história, puderam fazer com que não percebamos – se com um olhar mais atento tivermos – todo o esmero e carinho com que cada tijolo, cada caixilho, cada coluna, cada frontão, cada viga foi rebitada, encaixada, assentada, fixada. Cada porta e madeiramento decorado e acabado, fixado está há mais de cem anos.

O tempo passou, mas o patrimônio aí está!

De certo, pelo momento, agora nos sobra tempo e por isso caberá a nós o compromisso de preservá-la e conservá-la para as futuras gerações.

Assista um vídeo sobre a história da Estação da Luz

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