Localizado no Parque Estadual Serra do Mar, o Caminho do Mar fez parte do trajeto de um dos momentos mais importantes da história do Brasil, a Independência. Com uma beleza cênica incomparável, a área abriga um precioso patrimônio natural, remanescente do bioma Mata Atlântica, além de guardar um acervo histórico e cultural que marca períodos importantes da História do país e do Estado de São Paulo.

Sobre o trajeto, sabe-se que as dificuldades de transposição da serra eram muitas! Segundo o historiador Antônio Augusto da Costa Faria, o Caminho do Mar era o trecho que mais pesava no percurso entre São Paulo e Santos, e, durante muito tempo, era a única saída para o escoamento da produção da colônia. Junte-se a isso a ascensão do mercado cafeeiro e a necessidade de escoamento da produção pelo porto do Santos, pronto! Deu-se a construção, em 1844, de uma estrada que possibilitasse o trânsito de carroças chamada primeiramente de Caminho da Maioridade, em homenagem à recente promulgação da maioridade de D. Pedro II. A força do café também promoveu o advento das ferrovias na Província. A construção da primeira estrada de ferro, de Santos a Jundiaí, começou em 1860, a consequência foi a redução do uso dessa estrada, até que em 1913, por Rudge Ramos, que reconstruiu a via, tornando-a a primeira rodovia da América Latina a receber pavimentação em concreto, o que marcou o início da era do automóvel no Estado de São Paulo.

A Estrada Velha de Santos, como também é conhecido o Caminho do Mar, está situada no Parque Estadual da Serra do Mar e declarado pela UNESCO como Reserva da Biosfera. Também está, desde 1985, fechada para automóveis de passeio particulares, só pode ser percorrida por visitantes a pé, veículos de manutenção e micro-ônibus da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, administradora do Polo Ecoturístico Caminhos do Mar.

O caminho e o parque foram um grandioso acervo historico e cultural, formado pela própria rodovia, a Calçada do Lorena e outros monumentos, como Pouso de Paranapiacaba, Belvedere Circular, Rancho da Maioridade e Padrão do Lorena. Sobre a Calçada do Lorena (1792), primeiro caminho pavimentado com rochas ligando o planalto ao litoral, tinha o objetivo de viabilizar o tráfego de mercadorias (algodão, tabaco, anil e açúcar) no período colonial. Mais tarde, no século XIX, foi por essa rota que o príncipe regente D. Pedro I subiu a serra e proclamou a Independência do Brasil, em 1822. É destaque do acervo o conjunto de oito estruturas que contemplam monumentos históricos construídos em 1922, em comemoração ao centenário da Independência.

Com um pouco de disposição, roupas confortáveis e vontade de reviver a história, a Rodovia Caminho do Mar (SP-148) se transforma num passeio recheado de belas paisagens numa mistura de ecoturismo com turismo histórico. Vale a pena conhecer, de preferência com um Guia de Turismo que não deixará que nada passe despercebido pelos seus 5 sentidos!

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