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Arquitetos Estrangeiros no Centro Novo de São Paulo

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Na pubicação sobre arquitetos, engenheiros e construtores estrangeiros do Centro Histórico, terminamos nossa aventura no Theatro Municipal e é a partir dele que vamos começar um outro, agora pelo centro novo, para também apreciar as obras de arquitetos estrangeiros.

Próximo ao Theatro Municipal, junto ao Viaduto do Chá, já vemos o Edifício Conde de Prates, inaugurado em 09/07/1956, com 112 metros de altura, 33 andares, 45.000 metros quadrados de área construída, num terreno de 1.500 m quadrados. Construção de Alfredo Mathias, projeto do italiano Giancarlo Palanti (Milão 26/10/1906 – São Paulo 30/09/1977) Chegou ao Brasil em 1946. Naturalizou-se brasileiro em 26/05/1953. Projetou várias obras importantes em São Paulo.

Em frente ao Conde de Prates está o prédio todo em mármore travertino romano, estilo racionalista, tendo na cobertura um imenso jardim, são 14 pavimentos totalizando 27.800metros quadrados de área construída. Inaugurado em 1939 após 3 anos de obras, foi mandado construir pela família Matarazzo para sede de seus escritórios O arquiteto foi o italiano, Marcello Piacentini (Roma 08/12/1881 – Roma 18/05/1960). Realizou na Itália grandes obras públicas no estilo racionalista (fascista). Em 1935 esteve quinze dias no Brasil a convite do ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema para projetar a Cidade Universitária, no Rio de Janeiro, pensou algo grandioso, no estilo da Cidade Universitária de Roma, mas o projeto não foi realizado. Nos poucos dias que passou no Brasil fez contatos importantes entre eles com o Conde Matarazzo. Projetou para ele a reforma da Vila Matarazzo na Av. Paulista e o prédio na Praça do Patriarca. A construção foi do escritório Severo & Villares. Desde 25 de janeiro de 2004 é a sede da Prefeitura de São Paulo.

Do mesmo ponto de observação já estamos vendo o CBI Esplanada, sua construção já foi considerada a maior no mundo em concreto armado. Com 94,50 metros de altura no corpo principal e 112 metros no corpo recuado, 33 pavimentos, 50.000 m² de área construída num terreno de 1.300 m². Inaugurado em 1961, a construção teve início em 1946. Totalmente comercial. Grupo de empresários nacionais e estrangeiros, vários judeus poloneses, se associaram para a construção do prédio, contrataram o arquiteto Lucjan Korngold (Varsóvia 01/07/1897 –SP 06/02/1963). Veio para o Brasil em 1939 fugindo da perseguição nazista aos judeus na Polônia. Naturalizou-se brasileiro em 1946. Realizou várias importantes obras em São Paulo sempre apresentando propostas modernistas. No nosso passeio veremos mais dois prédios construídos por ele. Com o arquiteto Jorge Zalsupin construíram o “Mendes Caldeira” inaugurado em 1961 e implodido em 16/11/1975 e contornando o Teatro Municipal atrás dele temos o prédio inaugurado em 1923, para ser o luxuoso Hotel Esplanada. A família Guinle contratou dois arquitetos franceses Emile Viret e Gabriel Marmorat para sua construção. Para a mesma família projetaram o Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, que continua como hotel. O Esplanada, um dos mais luxuosos do Brasil, depois de alguns anos fechado, foi transformado na sede do Grupo Votorantim e hoje, depois de vendido para o Governo do Estado de São Paulo, abriga a “Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.”

Na esquina das ruas Vinte e Quatro de Maio e Conselheiro Crispiniano está o Palácio do Comércio, com 20 pavimentos, 21.480 metros quadrados de área construída, todo em estrutura metálica, num terreno de 1350 metros quadrados . Projeto e construção de Lucjan Korngold, de quem já falamos.

Mais à frente, na mesma Vinte e Quatro de Maio, do outro lado, duas galerias, a famosa Galeria do Rock, nascida em 1963 como Shopping Center Grandes Galerias e a Galeria do Reggae nascida Galeria Presidente, ambas construídas por Alfredo Mathias, os projetos arquitetônicos são do casal de arquitetos italianos Ermanno Siffredi (Itália 1922 – SP 2003) e Maria Bardelli. Chegaram em São Paulo em 1950. O escritório de arquitetura Siffredi & Bardelli produziu várias galerias comerciais e prédios residenciais de alto luxo em Higienópolis.

Seguindo agora pela Rua Dom José de Barros, num antigo prédio que pertence ao Clube Pinheiros, está ainda em funcionamento (agora com filmes pornôs), um cinema inaugurado em 14/12/1951: O Cine Jussara. Projetado pelo arquiteto italiano Giancarlo Palanti, depois passou a ser Cine Bruni e desde 05/03/1976 é o cine Dom José. É do mesmo arquiteto, o prédio do Cine Belas Artes, na Rua da Consolação.

Caminhando pelas Ruas Barão de Itapetininga e Marconi, veremos diversos prédios projetados pelo francês Jacque Pilon. O Jaraguá, na Rua Barão de Itapetininga, e na Rua Marconi o Anhumas e o São Manuel. Na Sete de Abril, o Edifício Guilherme Guinle, construído especialmente para os Diários Associados. Além de sediar a redação, o parque gráfico no gigantesco subsolo, de 1947 a 1968, em vários andares funcionou o MASP, e o Museu de Arte Moderna. A arquiteta italiana Lina Bo Bardi realizou as adaptações para a instalação do MASP. Na praça Dom José Gaspar, com entrada principal na Rua da Consolação, a grandiosa biblioteca Mário de Andrade, inaugurada em 25/01/1942, também foi obra de Jacques Pilon.

De frente para a Praça, nas esquinas das Ruas Martins Fontes e Major Quedinho, temos o prédio encomendado pela família Mesquita, projeto de 2 arquitetos estrangeiros Jacques Pilon e Franz Heep (falaremos dele ao chegarmos a sua obra mais famosa o Edíficio Itália). Ainda na praça Dom José Gaspar, mais uma obra de Korngold, o Edificio Thomas Edson.

Na esquina com Av. São Luiz, a bela Galeria Metrópole, projeto do brasileiro Salvador Candia e do italiano Giancarlo Gasperini (Nápoles 20/05/1926 – SP 15/07/2020), projeto de 1956, construída de 1959 a 1964, no terreno de 8.000 m² acima da galeria um edifício com 19 pavimentos totalizando 48.000 m² de área construída.

Percorrendo agora a Av. São Luiz, a porta com um detalhe bastante moderno nos desperta a atenção, as letras também num formato moderno nos informam, Edifício Moreira Salles, sobrenome de Walter e João que contrataram em 1951 o arquiteto Gregori Warchavchik (Odessa, Ucrânica, 2/4/1896 – SP 27/07/1972), para projetar o prédio residencial com 19 pavimentos. A construção ficou a cargo do escritório Severo & Villares. Warchavchik chegou ao Brasil em 1923, naturalizando-se brasileiro entre 1927 e 1928. Introdutor das construções modernistas em São Paulo, construtor da primeira Casa Modernista no Brasil, no bairro da Vila Mariana.

Passamos pelo edifício residencial Ouro Verde, projetado em 1953, por Franz Hepp, chegamos agora a seu prédio mais famoso, um ícone de São Paulo, não só pela altura, 165 m, o que o torna o segundo mais alto de São Paulo, o terraço no quadragésimo sexto andar, mas também pelo seu formato, num inteligente e belo aproveitamento do terreno, o edifício Itália, totalmente comercial, com um teatro e o Circolo Italiano. Adolf Franz Heep (Fachbach 24/7/1902 – Paris 4/3/1978). Chegou no Brasil em 1947, indo trabalhar no escritório de outro estrangeiro, Jacques Pilon que aqui já estava radicado. Não podia assinar seus projetos, até que uma carta do famoso Le Corbusier, com que trabalhou até 1932, atestava não só sua diplomação mas seu competente saber. Trabalhou associado com vários arquitetos até abrir seu próprio escritório. Construiu muitos edifícios residenciais, de luxuosos e amplos apartamentos, como por exemplo o Lausane, a inúmeros quitinetes. Foi professor no curso de Arquitetura na Universidade Mackenzie. Doente, vai embora do Brasil e morre na França.

Em frente ao Itália, na esquina da Av. Ipiranga com a Praça da República, Edifício São Luiz, de 1944, residencial com lojas no térreo, bem parisiense, mais um projeto de Jacques Pilon, Nele morou até seu falecimento em 1962. Já que estamos na Praça da República, final do nosso passeio, podemos observar o prédio da Escola Normal, ali desde 1894, posteriormente denominada Caetano de Campos e projetada por Ramos de Azevedo. A praça, que surge com a era republicana (até então tínhamos pequenos e mal cuidados largos na frente das igrejas), nos remete a um dos primeiros arquitetos estrangeiros a atuar em São Paulo, ainda no Império: Tommaso Bezzi (Turim 18/01/1844 – RJ 23/05/1914). Esteve radicado no Brasil desde 1875, veio para a construção do Monumento à Independência, que após a Proclamação da República passou ser o Museu Paulista, o famoso Museu do Ipiranga. Casou-se com uma brasileira e aqui permaneceu. Construiu em 1895 para Dona Veridiana Prado o velódromo na região da Rua Nestor Pestana, derrubado em 1916. Construiu também a residência do Conselheiro Antônio Prado, na Chácara do Carvalho, final da rua Barão de Limeira. Após sua morte a chácara foi loteada e o casarão passou a ser o Colégio Católico Boni Consilii. O Conselheiro Antônio Prado, primeiro prefeito de São Paulo, desejou embelezar a cidade chamou, então, Tommaso Bessi que, de 1902 a 1904, realizou o projeto do ajardinamento da Praça da República.

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