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Arquitetos, Engenheiros e Construtores Estrangeiros no Centro de São Paulo

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Quando pensamos em arquitetos estrangeiros atuando em São Paulo logo nos vem à mente Jacques Pilon, Franz Heep, Warchavchik, mas antes deles, alguns ainda no tempo do Império, atuaram aqui na Capital e produziram obras no centro da cidade.

Devemos lembrar que não havia Escola de Engenharia aqui em São Paulo. Só em 15 de fevereiro de 1894 começou a funcionar a Escola Politécnica, fundada por Ramos de Azevedo e Paula Souza formados na Bélgica, por isso, a vinda de vários estrangeiros para trabalhar e para lecionar na Escola Politécnica. São poucas as informações sobre eles, de alguns só temos a menção do nome. Com certeza deve haver outros que não são mencionados mas devem ter atuado aqui na capital.

Para lembrar de alguns deles e de suas obras podemos fazer um tour no centro histórico de São Paulo, começando pelo Palácio da Justiça, na Praça Clóvis Bevilacqua, desde 1978, unida à praça da Sé. Construído pelo escritório Ramos de Azevedo teve o projeto elaborada por Domiziano Rossi (Genova 13/05/1865 – São Paulo 24/10/1920) Professor no Liceu de Artes e Ofícios, foi o grande projetista do escritório de Ramos de Azevedo. É dele também o projeto do Theatro Municipal, do Palácio das Industrias, hoje sediando o “Catavento” Com a morte de Domiziano Rossi o principal arquiteto do escritório de Ramos de Azevedo passa a ser Felisberto Ranzini (Mântua 18/8/1881 – S.Paulo 22/8/1976), que projetou o Mercado Municipal,o Palácio do Comércio, no Pátio do Colégio, hoje pertencendo a Tribunal de Justiça, com fachada única, no estilo maia.

Na Praça da Sé a majestosa Catedral, projeto de Maximilian Emil Hehl, engenheiro, arquiteto, professor na Escola Politécnica, nasceu em Kassel em 17/09/1861, faleceu em São Paulo em 27/08/1916, está sepultado no cemitério da Consolação. Veio para o Brasil em 1888 para trabalhar na construção de estradas de ferro. Em 1898 se torna professor na Escola Politécnica, chegou a fazer parte por algum tempo, do escritório de Ramos de Azevedo. Além da catedral da Sé, projetou a Catedral de Santos, a Igreja da Consolação e o belo coreto em ferro no Jardim da Luz. Outras obras como o palacete onde morava na av. Higienópolis foram derrubadas.

Caminhando pela Rua Direita, na esquina com a Rua Quintino Bocaiuva, não há como não reparar no belo palacete com a fachada repleta com diversos tipos de ornamentação, estamos falando do Palacete Tereza Toledo Lara. Por vários anos sediou a Rádio Record e hoje além da casa de instrumentos musicais funciona a Casa de Francisca, restaurante e casa de shows. O prédio é de 1910, o projeto é do alemão Augusto Fried nascido em 1857.

Seu nome está gravado na parede da Quintino Bocaiuva quase esquina com a Rua Direita. Projetou também o prédio da Escola Alemã, na Praça Roosevelt, que na época da Segunda Guerra Mundial teve que trocar o nome para Colégio Visconde de Porto Seguro e com a mudança do colégio para o Morumbi passou a funcionar a Escola Estadual Caetano de Campos”. Também trabalhou na ampliação do “Banco Alemão” na rua XV de Novembro. Foi sócio de Carlos Ekmann

Indo em direção ao largo São Francisco uma bela e imponente construção em estilo “art noveau” desperta nossa atenção. É o prédio da Escola de Comércio Álvares Penteado construção de 1908, autor do projeto Carlos Ekmann. Karl Wilhelm Ekmann nasceu na Suécia em 1866, depois de formado passou por vários países até vir para o Brasil a convite de Augusto Fried, em 1894. Casa-se com a filha do médico Dr. Domingos Jaguaribe e passa a fazer parte da sociedade paulistana. Naturalizou-se brasileiro em 1900 passando a adotar o nome de Carlos Ekmann. Foi sócio de Fried e realizaram vários projetos. Foi um dos pioneiros ao romper o estilo eclético dominante na época. De 1920 a 1934 foi sócio de seu filho Sylvio Jaguaribe Ekman. Saindo da sociedade dedicou-se à pintura. Morreu em Santos em 1940). Ele também projetou a Vila Penteado, em Higienópolis, para o Conde Penteado. O conde não só doou o terreno como patrocinou a construção da escola, que abrigou não só cursos ligados ao Comércio, mas outros, como por exemplo a Escola de Sociologia e Política, antes de ir para sua sede própria na Rua General Jardim. O prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico, foi restaurado em 2006 renovando-se o telhado de ardósia e mantendo os pisos com ladrilhos hidráulicos belga e escadarias de mármore. Hoje funciona ali apenas a pós-graduação.

No largo São Francisco o atual prédio da Faculdade de Direito no estilo neocolonial foi projetado pelo português Ricardo Severo. Ricardo Severo nasceu em Lisboa em 06/11/1869 e faleceu em São Paulo em 03/04/1940. Foi engenheiro, escritor, arqueólogo, membro do Instituto Histórico Geográfico de São Paulo. Veio para o Brasil em 1890, retornou depois a Portugal onde viveu de 1895 a 1897, voltando definitivamente para São Paulo em 1909. Casou-se com uma irmã de Santos Dumont. Inicialmente colaborador no escritório de Ramos de Azevedo, passou depois a ser seu sócio. Com o falecimento de Ramos de Azevedo, em 1928, junto com o sócio Villares deu prosseguimento ao escritório, mantendo até 1938 o nome de Ramos de Azevedo na razão social, depois o escritório passou a ser Severo & Villares. Construíram grandes obras como o Estádio do Pacaembu, o prédio Ouro Para o Bem de São Paulo entre tantos outros notáveis.

Na rua XV de Novembro o belo prédio inspirado no Palácio Strozzi, em Florença, construído para o Banco Francês e Italiano nos faz mencionar o conde florentino Giulio Micheli. Arquiteto, engenheiro, e urbanista, chegou em São Paulo em 1888, com 26 anos, e faleceu em 1919 quando estava construindo esse prédio, seu colaborador Giuseppe Chiappore deu prosseguimento a obra. Micheli deixou obras marcantes na cidade, como por exemplo o Viaduto Santa Ifigênia, o Colégio Dante Alighieri, a capela da Santa Casa de Misericórdia. Também participou de vários projetos urbanísticos, como o calçamento da Avenida Paulista e alargamento da Rua Libero Badaró,

Ainda na rua XV de Novembro, está o antigo Banco Alemão . O núcleo principal na rua XV de Novembro foi concluído em 1897 com projeto de George Krug, que apesar do sobrenome não era alemão, mas brasileiro, seu pai também era brasileiro, a mãe alemã. Ele se formou no Estados Unidos e depois retornou ao Brasil, foi professor na Escola Politécnica. Em 1910 foi feita uma ampliação em curva na recém aberta rua Três de Dezembro, com a participação de Augusto Fried de quem já falamos, esse sim, alemão.

Vamos abrir uma exceção saindo do centro velho, pois não poderíamos deixar de falar do Theatro Municipal! Inaugurado em 12 de setembro de 1911, mais um construção do escritório Ramos de Azevedo que além de tantos estrangeiros que trabalharam na maravilhosa obra, devemos destacar dois italianos de mesmo sobrenome Rossi, um é o Domiziano Rossi, de quem já falamos aqui e o outro é Cláudio (Claudio Paolo Achille Rossi, Capri 1850 – Alássio 1935). Arquiteto, Cenógrafo, decorador, empresário artístico do Teatro São José. Decorou o palacete de Elias Chaves nos Campos Elíseos, posteriormente denominado Palácio dos Campos Elíseos.

Falamos dos primeiros arquitetos estrangeiros com obras ainda existentes no centro histórico de São Paulo. No próximo blog falaremos da presença de outros arquitetos estrangeiros que vieram posteriormente e com obras em diversos pontos de nossa cidade. Será um novo passeio e espero que caminhe conosco novmente…

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