HistóriaPatrimônio Historico e Cultural

A Revolução de 1924: “A resposta será granada!”

Nenhum comentário

Uma história pouco conhecida, até mesmo pelos próprios paulistas. Uma revolução com fatos marcantes e que em 23 dias quase tiraram a cidade de São Paulo do mapa!

O patrimônio histórico e cultural das cidades cumpre o papel de preservar, entre outras coisas, a nossa memória. Algumas são mais dolorosas, como as que envolvem guerras e conflitos, mas as cidades preservam a referência de lugares, cicatrizem em paredes provocadas por granadas e tiros de metralhadoras, alem de bombardeio, como o que atingiu a cidade de São Paulo a tornando a única cidade da América Latina a ser atacada dessa forma por aviões.

A 2ª Revolução Tenentista, Revolução Esquecida ou o Levante Tenentista, são alguns dos nomes dados à Revolta Paulista de 1924, ocorrida entre os dias 05 e 28 de julho, motivada pelo autoritarismo do então Sr. Presidente da República Arthur Bernardes, tendo então, a intenção de derrubar uma República Velha cheia de desmandos e requerer a instalação de uma nova política constitucionalista, com voto secreto, rompendo os acordos conhecidos como “Política do Café com Leite“, onde os representantes eram escolhidos sucessivamente entre os Estados e Minas Gerais e São Paulo. O movimento acredita assim, que acabaria com fraudes eleitorais, censuras e com desrespeito ao direitos individuais da Constituição de 1891, ditadas à mão de ferro. Eram queixas também o aumento da inflação e a perda significativa de mercado internacional.

São Paulo era a segunda maior cidade do território nacional com 700 mil habitantes, administrada pelo então Presidente do Estado Carlos de Campos (assim eram intitulados os governadores dos estados brasileiros na época) e pelo Prefeito da cidade Sr. Firmiano Pinto. O município era o maior polo industrial brasileiro com cerca de 4 mil indústrias (têxtil, metalúrgicas e alimentícias, entre elas Cotonifício Crespi, IRF Matarazzo, Alpargatas, Antárctica, Indústrias Nazareth, Indústria Gamba…) sendo responsável por aproximadamente dois terços das exportações pela indústria e pelos cafezais do país.

Talvez um dos motivos pelos quais o Albergue ou Hospedaria dos Imigrantes tenha sido estrategicamente implantado na região da Mooca. O local detinha o maior polo industrial paulista e sempre necessitava de mão de obra barata, aproveitando o desespero de quem vinha de outros países em busca de um lugar seguro após a 1ª Grande Guerra Mundial. Consequentemente, a sua população era composta em grande parte por imigrantes: húngaros, alemães, espanhóis, dinamarqueses, russos, tendo em sua grande maioria italianos e portugueses.

Os imigrantes, formados por familias que trabalhavam 10 a 12 horas por dia, em que homens, mulheres e até crianças com 10 anos dividiam o mesmo espaço e trabalho em linhas de produção não eram bem vistas pelos Palácio do Catete, comandado pelo Sr. Presidente Arthur Bernardes, pois as ideias trazidas por essa nova classe operária tentava impor ou convencer a população para lutar por melhorias para a classe trabalhadora, muitas vezes com ideias comunistas e revolucionárias, como aquela que ocasionou na primeira grande greve geral em 1917.

Essa divergência de ideias e opiniões foi a mistura perfeita para que um conflito fosse gerado numa região que era um grande descampado, com poucas casas e pequenas vilas divididas por bairros e polos industriais, diferente dos prédios e arranha-céus avistados atualmente.

Dentre os principais personagens desse marco histórico, estão os já citados Prefeito Firmiano Pinto, o Pres. da República Arthur Bernardes e o Pres. do Estado de São Paulo Carlos de Campos, e também o Geneneral Isidoro Dias Lopes, líder da revolta, e o Ministro de Guerra Setembrino de Carvalho.

Da esquerda para a direita: Pinto, Bernardes, Campos, Lopes e Carvalho.

 

 

 

 

Assista a esse vídeo com a narração iniciada em 05 de juho de 1924 até o fim da guerra, em que muitos lugares hoje conhecidos de São Paulo são citados, como Estação da Luz, Quartel da Luz (atual Rota da PM), Palácio Campos Elíseos, Campo de Marte, Liceu Sagrado Coração de Jesus, Secretaria de Justiça (hoje Patteo do Colégio), Igreja da Penha, Escola Normal Caetano de Campos, Mosteiro de São Bento, Igreja Nossa Senhora da Glória e Igreja Santa Ifigênia, além de bairros como Ipiranga, Vila Mariana, Mooca, Bom Retiro, Paraíso, Cambuci e Belenzinho.

 

Escute algumas frases que entraram para a história:

  1. Prefeito de São Paulo Firmiano Pinto
  2. Presidente do Estado de São Paulo Carlos de Campos
  3. Capitão Juarez Távora
  4. Ministro de Guerra Setembrino de Carvalho

 

Locais para visitar e conhecer as marcas dessa história

  • Quartel da Luz – atual Quartel da Rota, visite também os túneis da Rota;
  • Chaminé da Termoelétrica ao lado da Rota – marcas das granadas na torre;
  • Igreja Santa Ifigênia – marcas de bala da artilharia nas paredes;
  • Mosteiro São Bento – restaurado;
  • Estação da Luz – restaurada;
  • Campo de Marte;
  • Páteo do Colégio – restaurado;
  • Externato Mattoso – atual Pizzaria Benedita Maria – Rua dos Trilhos, 1269;
  • Liceu Coração de Jesus – Campos Elíseos – portões com marcas dos tiros;
  • Palácio de Campos Elíseos – atual Sebrae – restaurado (memorial);
  • Igreja Nossa Senhora da Glória no Cambuci – a igreja manteve o anjo sem o braço na entrada para não caírem no esquecimento as batalhas na região

Alguns locais onde existiram trincheiras

  •  Rua Conselheiro Crispiniano ao lado do Teatro Municipal;
  • em frente à Rota;
  • Largo do Cambuci;
  • Rua Vergueiro;
  • Largo do Arouche;
  • Praça do Carmo x Avenida Rangel Pestana;
  • entrada da Rua Cubatão;
  • Avenida Rio Branco ao lado do Palácio Campos Elíseos

Outros locais

  • Cotonifício Crespi – atual Hipermercado Extra Mooca;
  • Museu do Imigrante – Bresser;
  • Estação Penha – ao lado era a Estação de Trem Guaiaúna (foi demolida);

Links de Vídeos e Sites

https://www.youtube.com/watch?v=RoMlT3CRYgU

https://www.youtube.com/watch?v=ROm0cQuECPM

https://ultimosegundo.ig.com.br/policia/2018-07-06/revolucao-esquecida-1924-sao-paulo.html

https://blog.bbm.usp.br/2018/o-cotidiano-civil-durante-a-revolucao-esquecida-de-1924/

https://vejasp.abril.com.br/blog/memoria/palacio-campos-eliseos-reforma/

https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,a-revolucao-de-1924,398365

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/07/28/pouco-conhecida-em-sp-revolta-de-1924-faz-95-anos.ghtml

https://www.todamateria.com.br/revolta-paulista-de-1924/

Bibliografia

1924 – O Diário da Revolução – Os 23 Dias Que Abalaram São Paulo, Duarte Pacheco Pereira;

São Paulo Deve Ser Destruída, Moacir Assunção;

São Paulo Em Guerra, 1924 – Baseado em Coluna da Morte de João Cabanas. (Distribuição Gratuita).;

Revista – Leitura da História – Revolução de 1924;

Bombas Sobre São Paulo – A Revolução de 1924, Ilka Stern Cohen

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Posts relacionados

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.
Instituto Butantan a serviço da vida
A Igreja dos Carmelitas

Posts recentes

Menu