Arte

A Avenida Paulista e seus Espaços Culturais

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A Avenida Paulista pela lei número 11.006 de 20/06/1991 foi oficializada como a Imagem de São Paulo, em 1990 já havia sido escolhida pela população, numa votação estabelecida pela Rede Globo e o Banco Itaú. Este importante corredor financeiro já foi a avenida dos casarões, mas atualmente também divide seu espaço com protestos, comemorações, Reveillon, Carnaval  e Parada do Orgulho LGBTI+. De alguns anos para cá passou a ser o local que abriga grande número de espaços culturais, sendo esse o tema desse nosso passeio.

Logo no início, ali no Paraíso, a Japan House, inaugurada em 06/05/2017 é um orgulho para nossa cidade, pois, semelhante a ela, só há em Londres, no Reino Unido e em Los Angeles nos EUA. Sua proposta é mostrar não apenas o Japão tradicional, mas o Japão moderno, contemporâneo. As exposições são temporárias e bem diversificadas. Também estão à venda finos produtos vindos do Japão. Mesmo sem entrar no prédio já podemos apreciar o trabalho artístico do arquiteto japonês Kengo Kuma. Ao longo da fachada, num painel com 36 metros de extensão estão 630 peças de madeira HINOKI, encaixadas, sem pregos ou parafusos. Para essa montagem, que durou dois meses, vieram do Japão cinco artesãos especialistas na técnica de encaixe.

Na calçada em frente está a Casa das Rosas, projetada entre 1927 e 1928 por Ramos de Azevedo para sua filha Lucia e seu genro Ernesto de Castro. A construção foi supervisionada pelo arquiteto Felisberto Ranzini, do Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo & Villares, pois Ramos de Azevedo havia falecido em 12 de junho de 1928. A família muda para a casa em 1937. Sempre foi ocupada por membros da família. Antes do falecimento Ernesto Dias de Castro Filho, neto de Ramos de Azevedo, vende a casa, que havia sido tombada em 1985. Pela Lei de Transferência de Potencial Construtivo de Imóveis Preservados, pôde ser construído um prédio no fundo do terreno, e o bem tombado foi preservado e restaurado. Em 1991, depois de concluído o restauro e a construção do Edifício Parque Cultural Paulista, é inaugurada a Galeria Estadual de Arte da Secretaria de Estado da Cultura. Em 9 de dezembro 2004 a Casa das Rosas é reinaugurada como Espaço Haroldo de Campos de Literatura e Poesia, todo o acervo do poeta foi doado ao Governo do Estado pela Secretaria da Cultura e assim passou a oferecer uma série de atividades gratuitas.

A visita à casa é muito interessantes, pode-se ter noção como eram os casarões na Av. Paulista. Os espaços hoje são utilizados de outras formas, mas junto às portas estão informações, com fotos mostrando como eram quando ali foi residência. Podemos nos encantar com belos vitrais, pisos e lambris em madeira nobre. Ir aos agradáveis terraços onde se pode apreciar a Av. Paulista. Ver os criativos mosaicos e floreiras criados por Burle Marx. Ladeando, temos o moderno prédio projetado por Júlio Neves com 20 andares, assentados sobre pilotis com 11 metros de altura para não tirar a visão da Casa das Rosas, num contraste interessante: o casarão de 1937 e o prédio de 1991. Vale também uma camihada pelos jardins observando a quantidade e variedade de rosas , todas identificadas com seu nome científico, sua origem e seu nome popular. Os jardins com rosas sempre foram marca da casa, por isso, o seu nome.

Vizinho à Casa das Rosas está o Sesc Avenida Paulista, inaugurado em 29/04/2018. O dspaço é voltado para Saúde e Cultura com diversos espaços para exposições. Sua concorrida atração é o terraço, no décimo sétimo andar, de onde se tem uma visão maravilhosa da avenida Paulista.

Muito próximo, só atravessar a Rua Leôncio de Carvalho, temos Instituto Itaú Cultural, criado em 1987 e aberto ao público em 1989. O prédio foi projetado por Ernest Mange e reformado por Roberto Loeb em 2004. Composto de 9 pavimentos, mezanino, anexo ao primeiro andar, 5 subsolos. Permite até receber 3 exposições ao mesmo tempo. Dispõe de um auditório onde são realizados shows. Todas as atividades são sempre gratuitas. Em 13/12/2016 foi inaugurada a exposição permanente BRASILIANA, ocupando dois andares, são mais de 1300 Obras de Arte.

Do outro lado da avenida, o Hospital Santa Catarina, o primeiro hospital particular de São Paulo, inaugurado em 06/02/1906. Dom Miguel Kruse, abade do Mosteiro de São Bento, alemão, traz de seu país freiras da Congregação das Irmãs de Santa Catarina para cuidar do hospital. Os primeiros prédios foram projetados por Maximilian Heel, autor da catedral de São Paulo. Não existe mais nada da construção original a não ser a bela capela em estilo gótico, projetada por ele. A capela foi inaugurada em 06/09/1920 e restaurada em 2001. É aberta ao público. A porta fica fechada mas não trancada, é só abrir, entrar e se encantar. Podem ser apreciados diversos vitrais realizados em Munique na Alemanha. Na entrada, à direita, no local do antigo confessionário, a pintura do consagrado artista Cláudio Pastro, retratando a beata madre Regina Protmann, fundadora da Congregação de Santa Catarina, nascida em 1552. Na arcada dos jardins entre a capela e a casa das irmãs, os afrescos do pintor italiano Marco Ulgheri sobre a vida e o martírio de Santa Catarina. Foram inaugurados em fevereiro de 1998. Mesmo não entrando na capela podemos ver obras de arte nos muros do hospital. Inaugurados em 26/11/1999, onze mosaicos, protegidos por tela acrílica, apresentam como tema A Maternidade. Na metade da década de 70, a Av. Paulista foi alargada, para isso foi retirado um pedaço de cada lado da avenida. Em 1973 o Hospital perdeu os jardins. No local das antigas janela, em julho de 2002, foram instaladas 24 placas de bronze formando um só painel com o título VIDA. Marco Ulgheri criou os painéis e os moldes para a fundição, Eduardo José Cury foi o poeta que fez o texto, Diogo Miguéis Ortega fundiu os bronzes.

Um pouco mais à frente, no número 460, o mais novo espaço cultural foi inaugurado em 04/08/2019. Estamos falando do Centro Cultural Coreano. Fundado em 2013, funcionou até então na Alameda Barros no bairro de Santa Cecília. No jardim está uma escultura azul, com 3,5 metros, um homem curvado em sinal de respeito denominada GREETING MAN do artista Sr. Yoo Young Ho, significando paz e harmonia entre os povos. No Centro Cultural Coreano existe biblioteca, lugares para exposições, um espaço para realidade virtual onde se pode passear por pontos turísticos da Coréia sem sair do lugar. Oferece cursos gratuitos de idioma e de culinária típica. É legal tentar se encaixar numa foto da escultura.

O Shopping Cidade de São Paulo, inaugurado em junho de 2017 no local da antiga mansão da Família Matarazzo, não é oficialmente um espaço cultural, mas costuma a apresentar exposições em seu espaço térreo.

No prédio Luiz Eulálio de Bueno Vidigal, sede da FIESP, está instalado o Centro Cultural da FIESP. O prédio foi construído entre 1969 e1979 pelo escritório Rino Levi (com colaboração de Roberto Cerqueira Cesar e Luiz Roberto Carvalho Franco). Em 1996 o arquiteto Paulo Mendes da Rocha efetuou uma reforma no centro cultural .O espaço desde sua abertura foi muito procurado pelo público em função da qualidade do que é oferecido e sempre gratuitamente. Dispondo de várias salas podem acontecer diversas exposições ao mesmo tempo. Destaque especial para o Teatro, inaugurado em 1964, com 456 lugares, sempre apresentando grandes espetáculos e totalmente gratuitos. No espaço existe também cafeteria e um belo jardim projetado por Burle Marx.

Arquitetura totalmente diferente, no estilo brutalista, com paredes de vidro, o grande vão livre com 74 metros de extensão, solução que a arquiteta italiana Lina Bo Bardi encontrou para poder deixar livre a visão do centro da cidade como foi exigido pela Prefeitura para a doação do terreno. Estamos falando do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP! Homenagem a ele que fundou o museu em 1947, tendo o auxilio do marchand e professor Pietro Maria Bardi e a esposa a arquiteta Lina Bo Bardi. Funcionou até 1968 no Edifício Guilherme Guinle, o prédio dos Diários Associados na rua 7 de abril. Em 07/11/1968, com a presença da Rainha da Inglaterra, foi inaugurado na Avenida Paulista. Um dos orgulhos de nossa cidade, tanto pelo prédio, como pelo conteúdo, são mais de 8 mil obras de arte. Importante não só pela quantidade, mas pela qualidade, são obras dos maiores nomes de Pintura.

Além do maravilhoso acervo permanente, com frequência apresenta exposições não só de pinturas, como também de fotografias, esculturas, que atraem grande número de pessoas. Como possui vários espaços podem acontecer várias exposições ao mesmo tempo. Desde seu início a proposta não é ser apenas uma coleção de quadros mas um espaço cultural com cursos. Dispõe também de uma boa loja para venda de livros de arte e objetos artísticos e um restaurante mesas e cadeiras projetadas por Lina Bo Bardi, a famosa Cadeira Girafa (foto).

Dispõe de uma das melhores bibliotecas de Arte no Brasil. Há cobrança de ingressos para as exposições, mas às terças-feiras, a entrada é gratuita.

O Conjunto Nacional, ocupa toda uma quadra formada pelas ruas Augusta, Alameda Santos e Padre João Manuel, além da Av. Paulista onde está a entrada principal. No piso térreo está localizada a Livraria Cultura, a maior livraria no Brasil, onde se pode examinar detalhadamente os livros expostos. além dela existem outra lojas situadas ao longo de largos corredores. Nesses corredores às vezes são realizadas exposições, ocupando todo o espaço, em outras vezes, tem uma exposição do lado direito, outra do lado esquerdo. Merece destaque a grande escultura homenageando Dom Quixote, em seu cavalo e com seu fiel escudeiro Sancho Pança. Vista de longe parece ser de mármore mas ao chegar perto, observando bem pode se ver que é toda feita com pedaços de objetos plásticos que foram descartados. Reaproveitamento de materiais jogados fora é uma das características do prédio. Enfeites de natal, de Carnaval, são feitos com material plástico descartado.

Finalizamos nosso passeio no Instituto Moreira Salles. Inaugurado em 20/09/2017 projeto do escritório Andrade Morettin. O prédio em si já é uma atração, recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte o premio de melhor obra de Arquitetura em SP, em 2017. Para ser realizado, um grande desafio precisava ser vencido: o lote mede 20 metros de frente por 50 metros de fundos, cercado por prédios que variam de 12 a 18 andares e calçada estreita em função do túnel de ligação com as Avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo. Para solucionar esses problemas, o térreo foi deslocado para o quinto andar, onde se chega facilmente por escadas rolantes, ali temos um piso semelhante aos pisos das calçadas, um terraço para a Av. Paulista e a recepção do espaço cultural dividido em vários andares, com cinema, salas para exposições, cursos, biblioteca especializada em cinema, fotografias e urbanismo. As exposições são sempre gratuitas.

Como pudemos ver além da quantidade, da qualidade das atrações, a maior parte delas são totalmente gratuitas, mesmo as pagas têm seu dia de gratuidade, então é aproveitar o que nossa cidade nos oferece!

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